Late to the Party (LTTP) é a editoria do Metagene onde a nossa equipe fala sobre obras da cultura pop que não são lançamentos recentes.

 


Se existe uma certeza no mundo televisivo e cinematográfico é a de que todo ano presenciaremos uma nova leva de comédias românticas tentando emplacar um novo hit na TV ou estourar nas bilheterias. Em sua maioria, os produtos desse gênero apresentam os mesmos elementos e padrões narrativos utilizados há décadas, com apenas algumas variações: os casais se conhecem, sofrem alguma adversidade, e no final rola uma declaração mútua de amor com o volume da música tema no talo.

Apostando em uma abordagem um pouco mais moderna, A to Z parece querer desmistificar o clássico e batido meant to be, inspirado em obras mais recentes como 500 Days of Summer.

Andrew (Ben Feldman, de Superstore e Drop Dead Diva) e Zelda (Cristin Milioti, de How I Met Your Mother e Black Mirror) são a personificação da frase “os opostos se atraem”. Enquanto o funcionário do site de encontros online Wallflowers cresceu acreditando em destino — tendo como maior inspiração o casamento de seus pais — a advogada é cética e objetiva quando o assunto é romance.

O início da série — especialmente o piloto — segue à risca a fórmula do romantismo: eles se conhecem, percebem que já haviam se visto em um show, e o desejo de Andrew de encontrar a garota dos seus sonhos colide com as defesas armadas de Zelda. Acontece o conflito, a garota percebe que talvez valha a pena dar uma chance ao destino e pronto! Assim o seriado dá seu pontapé inicial — meio entediante no início, confesso. Contudo, um detalhe faz toda a diferença: desde o começo ficou estabelecido que o relacionamento durou oito meses.

Como assim uma comédia romântica que dá errado?!

A proposta da série não é necessariamente contar uma história de amor, e sim mostrar todas as etapas do relacionamento de um jovem casal, desde o momento em que se conhecem — passando pela fase de inclusão e adaptação na vida um do outro e a empolgação do início do namoro — até o momento do término, muitas vezes causado por uma rotina monótona e as dificuldades em aceitar os defeitos do(a) parceiro(a), culminando em brigas quase intermináveis. Ou seja: um relacionamento do início ao fim. De A à Z.

É extremamente difícil criar uma obra 100% inédita e inovadora. Novos filmes e seriados são inspirados em materiais já existentes, com personagens parecidos e situações quase idênticas. O clichê sempre estará presente, mas isso não é necessariamente um problema. A dificuldade está na maneira com a qual os roteiristas e os produtores conduzem essas repetições.

Por mais que A to Z aposte em um desenvolvimento com piadas estereotipadas, a estrutura narrativa escolhida pela produtora Rashida Jones (a Ann de Parks and Recreation) é responsável pelo sopro de novidade que acaba nos fisgando pela curiosidade: uma narradora (Katey Sagal, de Sons of Anarchy) nos conta a história, como se fosse um relatório da versão beta de um app.

O quanto uma pessoa pode mudar a sua forma de encarar a vida?

Apesar de não ser o tipo de série que arranca gargalhadas, A to Z é cativante. A química do casal protagonista é nítida, e o elenco de apoio ajuda bastante no desenvolvimento dos dois — mas fica a crítica para Stu (Henry Zebrowski), o amigo de Andrew que muitas vezes cai no estereótipo bem ofensivo de “gordinho tarado”.

A to Z se mostrou uma série criativa e oportunista (no bom sentido) quando foi lançada em 2014. Em tempos em que aplicativos como o Tinder se popularizavam e consolidavam-se como ferramentas relevantes de relacionamentos, é louvável que um seriado tenha conseguido utilizar algo tão moderno para tentar dar uma nova cara à uma velha fórmula.

Não esperem dar gargalhadas, mas apostem em um bom passatempo para uma tarde descompromissada.