Late to the Party (LTTP) é a editoria do Metagene onde a nossa equipe fala sobre obras da cultura pop que não são lançamentos recentes.

* Esse é o nosso texto de estreia, mas no futuro você pode conferir as nossas outras recomendações clicando aqui.


 

Em uma época onde jogos independentes estão sendo lançados a rodo, fica difícil acompanhar todos os lançamentos e é até um pouco normal esnobar de alguns títulos que estão saindo. Lançado em 2015 pela desenvolvedora canadense Brace Yourself Games, Crypt of the NecroDancer foi um desses títulos que, no meio de tantos outros, acabei ignorando. Felizmente, apesar de alguns anos de atraso, acabei descobrindo esse incrível jogo por acaso e tive a chance de corrigir meu erro. Como diz o ditado: antes tarde do que nunca, não é mesmo?

NecroDancer tem, talvez, uma das jogabilidades mais fascinantes e criativas que vi nos últimos anos. No melhor estilo roguelike, ou seja, com dungeons geradas aleatoriamente, você precisa avançar pelas fases de forma rítmica, acompanhando a batida da música que toca ao fundo. Se perder o ritmo, a próxima ação não é executada até você recuperá-lo. Superficialmente, o conceito parece simples, já na prática, o jogo é um pouco mais complicado do que parece, trazendo um gameplay desafiador e bastante complexo.

Se você não dançar, pode se arrepender…

Além de avançar pelas fases acompanhando a música, você também precisa derrotar os inimigos que encontra pelo caminho — tudo dentro do ritmo, é claro. Esses inimigos, cada um com o seu próprio moveset, sua própria coreografia, necessitam ser observados antes do jogador enfrentá-los, uma vez que é preciso vencê-los desafiando a dança ou movimento padronizado que cada um costuma seguir. Tentar atacar os inimigos de forma aleatória, sem respeitar o timing e posição, pode acabar resultando em uma punição severa, como é de praxe no gênero. Você provavelmente vai se ver repetindo as fases algumas (muitas) vezes, mas com as mortes também vem o aprendizado.

As fases de Crypt of the NecroDancer, no entanto, vão muito além do que apenas avançar e atacar o que aparecer na sua frente. Você também é recompensado pela exploração, encontrando baús, chaves, itens e caminhos que te deixam mais forte durante a sua jornada. Não apenas isso, mas você também pode coletar diamantes que, mais tarde, podem ser trocados por upgrades no hub inicial do jogo e permitem que você inicie a próxima partida já mais forte, ou com a perspectiva de encontrar itens melhores durante a run. Ir atrás desses diamantes é particularmente importante uma vez que a dificuldade aumenta progressivamente a cada nova fase ou zona e estar bem equipado pode ser um diferencial para o seu sucesso.

Outro ponto bem interessante é que o jogo justifica a presença da música através da história. Os acontecimentos principais giram em torno de Cadence, uma jovem exploradora que vai até as criptas atrás do seu pai, que sumiu há dois anos. Lá, seu coração é amaldiçoado pelo NecroDancer e fadado a bater para sempre ao ritmo da sua música. A história vai se desenrolando na medida em que o jogador avança e também desbloqueia novos personagens, que complementam o enredo. Cada personagem, inclusive, vem com habilidades próprias e que diversificam ainda mais o gameplay.

O jogo, além de tudo, tem um ótimo humor!

E é claro que, por ser um jogo moldado em volta da música, a trilha sonora é um dos grandes destaques aqui — até porque, se a música falhasse, o jogo também falharia. Compostas por Danny Baranowsky (Binding of Isaac, Super Meat Boy), as músicas padrão de cada fase são um incrivelmente satisfatórias, combinam com o estilo de jogo e ainda vão ficar na sua cabeça por dias, mas nunca de uma forma enjoativa. Caso você queira ouvir algo diferente, existem também trilhas alternativas para você escolher, compostas por A_Rival (estilo EDM), FamilyJules7X (para quem gosta de metal) ou até mesmo pelo seu artista favorito, basta importar o arquivo .mp3 do seu próprio computador.

Com belíssimos gráficos 2D, uma jogabilidade inventiva e desafiadora e a união auspiciosa de dois gêneros tão diferentes, Crypt of the NecroDancer consegue ser um dos jogos mais estimulantes e cativantes dessa geração. É um jogo difícil, desafiador, mas que dificilmente frustra, já que, uma vez bem sucedido, o jogador se sente incrivelmente recompensado pelo seu bom trabalho. É simplesmente belo e definitivamente divertido encontrar padrões no meio de uma aparente desordem. Disponível para praticamente todas as plataformas do mercado, NecroDancer é uma ótima solução para quem está procurando um jogo fora da caixa, com alto replay e divertido. Vale a pena conferir!