Especial BGS 2017: Assassin’s Creed Origins

A renovação que a franquia precisava
por: 16 de outubro de 2017
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Quem diria que depois de anos eu voltaria a encarar novamente uma fila enorme na Brasil Game Show para jogar um game da série Assassin’s Creed.

A última vez que fiz isso foi em 2015, quando AC Syndicate era o nome da vez. Apesar do título ter recebido boas críticas na época, minha experiência testando o game foi péssima: inúmeros bugs e a sensação de mais do mesmo que me fizeram continuar passando bem longe da série, como vinha fazendo desde o AC III.

Contudo, achei interessante (e até surpreendente) a Ubisoft apostar e bancar uma renovação mesmo com a franquia sempre vendendo bem e tendo uma base fiel de fãs. O estúdio percebeu que uma mudança era necessária, e exatamente por isso resolvi voltar atrás na minha decisão e conferir o resultado desse respiro de dois anos chamado Assassin’s Creed Origins.

E olha: gostei do que vi!

De cara, a primeira coisa que chama atenção são os gráficos. O jogo está realmente lindo no novo Xbox One X — como os desenvolvedores e a Microsoft vêm dizendo que seria desde os gameplays divulgados na E3 2017.

No entanto, vamos ser justos: gráficos nunca foram um problema para AC. Mesmo não sendo muito fã da franquia, é impossível negar que o trabalho de ambientação dos títulos foram sempre impecáveis, e em Origins isso não é diferente porque você realmente se sente no antigo Egito. Os NPCs estão menos genéricos e isso ajuda a dar mais vida para a cidade, criando uma ligação mais natural do protagonista com o local — coisa que não lembro de ter sentido com frequência em outros jogos da série.

A cidade parece mais viva e os NPCs menos genéricos.

Se o visual nunca foi um problema para AC, vamos falar então de uma das mudanças mais notáveis em Origins que mexe com um dos pontos fracos da série: a mecânica de combate. Agora é necessário mirar em cada inimigo para entrar no modo combate, e o protagonista Bayek possui ataques fracos/leves e fortes/pesados e uma espécie de “modo Berserk” — semelhante ao modo Vingança de For Honor, título da própria Ubisoft que parece ter servido de inspiração para a nova mecânica.

As lutas ficaram mais difíceis, e é preciso esperar o momento certo para atacar ou contra-atacar para quebrar a guarda do oponente. E não tenha vergonha se de esquivar! Com alguns inimigos isso será muito necessário. Além disso, os tipos de armas que você usa influenciam diretamente no combate: com uma espada normal em mãos o jogador tem também à sua disposição um escudo e consegue combater de forma ágil. Já com um machado mais pesado Bayek fica bem mais lento e com movimentos mais previsíveis.

O combate mudou. (e para melhor!)

Falando em armas e inimigos, algumas mudanças relacionadas a esses elementos aproximam o AC Origins de um game de RPG — não inteiramente do gênero, mas com elementos dele. Em relação as armas, agora também é possível fazer upgrade no armamento e em outros itens, como a famosa hidden blade e as armaduras utilizadas pelo protagonista.

Já em relação aos inimigos, agora eles têm níveis de luta, assim como Bayek. Isso significa que você pode entrar em uma missão com oponentes que possuam níveis superiores ao seu, e cabe a cada jogador a escolha de se arriscar ou voltar em outro momento quando seu personagem estiver mais forte.

E lembrando: os inimigos deixam algo para trás para que você aumente seu inventário, então não esqueça de saqueá-los!

AC Origins adiciona alguns elementos de RPG para dar uma renovada na franquia.

Por fim, outra novidade que todos já conhecem desde o primeiro trailer do game é Senu, a águia do protagonista. Com ela, os jogadores podem ter uma visão aérea dos lugares para reconhecer inimigos e criar estratégias.

Infelizmente meu receio desde que vi Senu em ação pela primeira vez se confirmou: a jogabilidade com a águia não é das melhores.

Os movimentos não fluem com naturalidade e muitas vezes o animal muda de rumo de forma abrupta, fazendo-o parecer mais com um drone — utilizando em outros títulos da própria Ubi, como Ghost Recon: Wildlands e Watch Dogs 2 — do que com uma águia de verdade.

A ideia de usar Senu é muito boa, mas a execução deixa a desejar. Quem sabe no próximo título isso melhore.

O mais interessante de Assassin’s Creed Origins é que a Ubisoft conseguiu criar um equilíbrio muito bom entre renovação e identidade. Não chega a ser uma renovação do tamanho de Zelda: Breath of The Wild, mas não tem problema.

Quem é fã da franquia não vai se decepcionar porque as características que dão personalidade para a série estão presentes — stealth, escalada, assassinato aéreo, saquear, rastrear —, enquanto aqueles que não ligam muito para as histórias dos assassinos podem gostar das adições de elementos que aproximam o jogo de outros gêneros, como o RPG.

Baseado no que pude jogar e no que acompanhei de outras pessoas jogando, parece que a pausa da franquia surtiu efeito. Agora é torcer para que os próximos títulos tenham o mesmo tratamento e continuem evoluindo cada vez mais.

* Assassin’s Creed Origins será lançado em 27 de Outubro para Xbox One, Playstation 4 e PC.