Fazendo um livro – Parte 2

Seu livro está pronto! E agora, José?
por: 13 de julho de 2017
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Caso você tenha perdido a primeira parte desta série e se interessa pelo processo de escrita do livro, clique AQUI.

Depois de um longo e árduo período, cheio de dúvidas e provações, seu livro finalmente está pronto! Já teve riso, choro, comemoração e o diabo a quatro, mas chegou a hora de colocar seu filhote no mundo para que uma vastidão de pessoas saibam de sua existência.

E agora?

Agora, meu caro, chegou a hora de lutar para ter seu espaço nas prateleiras (curioso como tudo que envolve um livro é envolto em dor e sofrimento, né?).

Existem, basicamente, duas maneiras de publicar um livro: o método tradicional – ou seja, por meio de uma editora – e a auto-publicação. Neste texto focarei no método tradicional para, na terceira parte, falar sobre as outras opções disponíveis para o autor.

A forma mais comum que o autor iniciante trata o envio de originais para avaliação de editoras é a famosa metralhadora desgovernada, anexando o arquivo de word (ou PDF, para os que ainda acreditam no mito de que editoras malévolas vão roubar sua obra) em trocentos e-mails direcionados para todas as casas editoriais que ele descolou um endereço, ou até mesmo via Correios com uma versão impressa. Por favor, não seja essa pessoa.

Não seja a pessoa que sai atirando pra todos os lados! Foco!

Os problemas dessa abordagem são muitos, começando pela completa falta de foco; se você escreveu uma Alta Fantasia, por que diabos mandou seu livro para a editora de esotéricos/didáticos/alta literatura? Isso mostra apenas uma falta de profissionalismo e, honestamente, de senso da parte do escritor. Estude as editoras nacionais e encontre as que encaixam no tema da sua obra. Tente imaginar seu livro no catálogo das empresas que você separou. E não vale escrever uma distopia adolescente com tons humorísticos e se imaginar na Companhia das Letras, ok? Tome tento!

Separando essas potenciais casas para sua obra, tenha também o tento de criar uma carta de apresentação, contando seus motivos, inspirações e um breve resumo da sua obra – isso provavelmente vai te colocar lá pra cima na sludge pile. Este termo americano se refere ao volume violento de originais que editoras recebem, sendo que boa parte deles, sejamos sinceros, é ruim de doer. Isso não quer dizer que seu livro é necessariamente ruim, mas ele estará entre uma vastidão de obras sem filtro e navegar pela pilha de originais é um trabalho bem ingrato na maioria das vezes. Então pode se preparar para uns bons meses sem resposta, sendo bem provável que algumas editoras nunca te dêem um retorno.

Esse é o jeito mais formal de enviar uma obra para avaliação, mas você pode roubar no jogo e tomar alguns atalhos, que estarão disponíveis de acordo com a sua sorte e habilidade de networking. O mercado editorial é bem pequeno e praticamente hermético, permitindo que um conhecido no meio te leve muito longe (o que também tem um potencial de te queimar lindamente, então a atenção e bom senso deve ser redobrado nesses casos).

Outra coisa: você não precisa conhecer um editor necessariamente, mas fica bem mais fácil. Se essa pessoa for super próxima, sua aproximação pode ser mais solta e informal; se não for o caso, procure ser profissa: levante o assunto no momento oportuno e tome cuidado para não ser muito insistente para não virar um chatão. Uma abordagem interessante é checar se o editor faz um trabalho freelance de leitura crítica, pois se ele gostar do que ler e concordar com você na adequação dentro da linha editorial da empresa – e, especialmente, se ele perceber potencial comercial na sua obra –, certamente vai querer contratar seu livro.

Se um amigo ou conhecido também for autor e já tiver passado pelo caminho das pedras, ele também pode indicar seu livro para uma editora que ele já tenha um contato profissional, te passando na frente da fila em alguns casos. A opinião de um autor da casa pode contar muito para que sua obra caia nas mãos certas.

Quando seu livro é contratado por uma editora, começa todo o processo profissional de edição – copidesque (ou copydesk, ou ainda preparação), diagramação, revisão e impressão. Normalmente você é envolvido no processo, que ainda leva alguns meses, aprovando as alterações de texto e capa do livro, por exemplo, até que ele fique prontinho para o lançamento, que será marcado pela editora em alguma livraria; sucesso! Mas seu trabalho só começou…