Fazendo um livro – Parte 3

DIY da publicação de livros
por: 21 de julho de 2017
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Caso você tenha perdido as primeiras partes desta série, clique AQUI para ler sobre o processo de escrita do livro e AQUI para saber mais sobre o processo tradicional de publicação.

Então você terminou seu livro e não vê a hora dele chegar às mãos ansiosas de leitores, mas não quer passar pelo processo tradicional de caçar uma editora e convencê-la de que seu livro vale a pena. Dá pra fazer isso?

Dá sim, mas você vai ter que abraçar várias funções que a editora faria por você. Existem diversas plataformas para a autopublicação, tanto no formato físico quanto digital, com níveis diferentes de investimento de tempo e dinheiro.

Nos mantendo um pouco mais no formato tradicional do livro, várias editoras de self-publishing podem diagramar e imprimir seu livro, simplesmente te cobrando por esses serviços. Elas não terão nenhum tipo de cuidado especial com sua obra, pegando o que você enviar sem nenhum questionamento e botando num formato final. Não espere grandes resultados se optar por este caminho. Entre as funções que você estará absorvendo estão a preparação e revisão de texto, para as quais será necessário você contratar profissionais freelancers (um antes e outro após a diagramação do livro). Depois disso, caberá a você procurar um profissional que possa distribuir seu livro para livrarias e lojas especializadas, além de todo o marketing cair nas suas costas — o que é viável, porém custoso.

Campanhas de crowdfunding — financiamento coletivo — em sites nacionais especializados, como o Catarse ou o Kickante, podem te ajudar a levantar o dinheiro necessário para uma publicação independente, mas lembre-se de considerar os gastos com envios, recompensas extra (se for o caso) e o percentual da plataforma para não acabar com mais problemas do que no começo se tomar este rumo; é bem fácil se ferrar com campanhas de financiamento por falta de um planejamento consistente. É até possível chamar um diagramador e um capista freelancer e nem precisar de uma dessas editoras citadas anteriormente, negociando direto com a gráfica a impressão do produto final. Tudo vai depender do seu tempo, seus contatos e da sua capacidade de convencer pessoas a te dar dinheiro.

Já no formato digital, é possível distribuir sua obra gratuitamente na internet ou, mantendo o retorno (o que eu acho que é o mínimo, pois quem vai valorizar sua obra se nem você atrelou um valor a ela?), partir para o KDP, ou Kindle Direct Publishing. Esta plataforma te permite criar um ebook na loja da Amazon diretamente do seu manuscrito, com um preço definido por você e com um percentual sobre vendas maior que o de um contrato tradicional com uma editora. O KDP Select ainda te dá uma porcentagem maior, com a contrapartida de ser o veículo exclusivo de vendas do seu livro virtual.

Atualmente o KDP também oferece a impressão sob demanda de livros independentes, mas é um serviço um tanto caro para o consumidor final. Você pode até criar as capas de suas obras pela ferramenta da Amazon (coisa que eu não recomendo, mas cada um faz o que pode, né?). Neste caso a Amazon sequer mexe no seu texto, oferecendo apenas um programa ainda em beta que te ajuda a converter seu arquivo do Word para o formato mobi dos ebooks amazonianos; permanece aqui a necessidade de freelancers que te ajudem com preparação e revisão de texto, te livrando apenas da diagramação, já que a maioria dos livros virtuais se adaptam a diferentes telas, te fazendo apenas manjar de uma coisinha ou outra para criar índices e capítulos, por exemplo.

O serviço da Amazon pode ser uma boa opção para distribuição digital.

Você não terá uma distribuição em lojas físicas e terá que se empenhar em dobro na divulgação, especialmente se considerarmos que os livros digitais correspondem a apenas 2,5% das vendas, de acordo com o Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros). Por outro lado, o capital necessário para ter sua obra disponível ao público é muito menor, sem falar que a decisão do STF de cortar os impostos de ebooks e e-readers pode contribuir para que esse número cresça bastante nos próximos anos.

Independentemente do caminho que escolher, só não siga por ele pensando que seus números de venda independente vão te ajudar a chegar em uma editora, com um contrato bacana e acima da média – pelo menos não para o mesmo livro. Essa linha de raciocínio só pode te beneficiar a longuíssimo prazo, com uns três ou quatro livros publicados e com vendas expressivas.

O último recado que dou sobre a publicação independente é: converse com quadrinistas. O mercado independente de HQs é bem grande no Brasil e alguns desses artistas já estão nessa estrada há algum tempo e poderão te ajudar para que você comece com o pé direito firme no chão.

Para fechar esta série de texto, ainda volto mais uma vez para falar sobre o papel do escritor após a publicação do livro. Até lá!