Os maravilhosos Enigmas de Londres

Série literária traz a “magia para adultos” num cenário contemporâneo
por: 21 de dezembro de 2016
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A magia é sempre um tema legal de se explorar em obras de ficção. Por mais que tenhamos sempre novos títulos que exploram esse mundo, cada um à sua maneira, a coisa nunca fica cansativa — talvez por conta dessa pluralidade de formas de explorá-la. A série literária de Ben Aaronovitch, Enigmas de Londres, é uma das mais recentes na longa lista de obras literárias britânicas que abordam a magia. E, senhoras e senhores, que série.

No primeiro volume, Rivers of London (ou “Espíritos do Tâmisa” por aqui), somos apresentados a Peter Grant, um policial novato de Londres que, no meio de uma madrugada comum de ronda, acaba conversando com um fantasma que presenciou um crime e é enviado ao Departamento Sobrenatural da polícia. Ele então começa a ser treinado nos princípios da magia Newtoniana enquanto trabalha em casos que são, no mínimo, bizarros. Grant é o primeiro aprendiz de magia em mais de setenta anos, já que o bruto das forças mágicas inglesas foi obliterada na Segunda Guerra Mundial, e serve de ponte entre o arcaico e o mundo atual, super tecnológico, interligado e mais “solto” socialmente.

Capa da primeira edição nacional e a capa inglesa.

A evolução das relações interpessoais de Grant, assim como sua evolução no mundo da magia, é acompanhada durante seis livros (e alguns quadrinhos que servem como tie-ins), sendo o mais recente The Hanging Tree, lançado em novembro deste ano, que claramente aponta para uma conclusão no sétimo volume da série — isso se o autor não der uma de George Martin, é claro. Os personagens são bem aprofundados e o humor do protagonista é, no mínimo, peculiar (como o humor inglês bem feito deve ser), tornando-o um cara agradável de acompanhar em meio às bizarrices que acontecem na sua vida.

Rivers of London pode ser resumido como o meio-termo entre Harry Potter e Livros da Magia, servindo tanto para um público infantojuvenil por não pegar pesado em temas mais polêmicos ou não ser tão violento, quanto para os adultos pelo seu subtexto, que é bem inteligente. O mais interessante, ao meu ver, são os pedaços que o autor insere esporadicamente para contextualizar toda a história da magia no seu mundo e como ela influenciou diversos acontecimentos, bem como sua utilização prática e sua interferência com a tecnologia atual.

Por exemplo, se um praticante usa uma forma (a coisa que você precisa meio que “imaginar” para conjurar um efeito específico no mundo físico), todos os componentes eletrônicos que estiverem ligados ao seu redor fritam (os chips viram PÓ!). Quanto mais complexa e poderosa a magia, maior o raio de destruição. Além das menções à Segunda Guerra, dá pra sacar que vários grandes acontecimentos foram influenciados pela magia, começando pelo fato do criador do primeiro compêndio sobre o assunto e fundador da Academia Mágica Inglesa ter sido Sir Isaac Newton — a magia é newtoniana!

Caso você seja como eu e curta obras de ficção que brincam com o mundo contemporâneo ao acrescentar uma camada do fantástico, não se engane pela capa — ou pela quarta capa também, se considerarmos as péssimas escolhas feitas pela LeYa nas edições nacionais da série (chegaram até a interferir na geografia do segundo livro, trocando o bairro do Soho por Westminster no título da obra) —, e compre o primeiro livro sem receio. Depois venha me contar o que achou nos comentários deste post.