Essa é a editoria do Metagene na qual a nossa equipe faz recomendações sobre o que consumimos durante a semana. Gostou da indicação? Então já sabe: Põe na Lista!.


TABLETOP SIMULATOR

A aquisição desse jogo foi definitivamente uma das minhas compras recentes mais certeiras. Em busca de uma opção divertida para jogar com um grupo de amigos no final do dia, sem precisar me deslocar do conforto da minha casa, acabei recebendo a recomendação de Tabletop Simulator, um jogo que, como o nome denuncia, é um grande simulador de jogos de tabuleiro. A satisfação com o título foi tanta que sinto que chegou a minha vez de passar essa recomendação a frente!

De visual e proposta simples, Tabletop Simulator é um grande compilado de jogos de mesa. O jogo base vem com vários games mais simples e conhecidos, como paciência, xadrez, mahjong e dominó, mas o grande trunfo aqui são os mais de 20 mil custom games disponíveis via Steam Workshop. Entre os jogos disponíveis estão versões de Banco Imobiliário, Resistance, Dungeons & Dragons e vários outros títulos incríveis — o leque de opções é realmente imenso. E o melhor de tudo? Tudo funciona exatamente como na vida real (inclusive dá até pra dar aquela roubadinha de vez em quando…).

Então se você busca por uma opção divertida para jogar com os amigos no fim de semana sem precisar sair de casa, Tabletop Simulator é a pedida certa! O jogo tem capacidade para até 10 pessoas simultâneas em uma única sala e possui suporte para chat de voz e de texto. Agora com licença que vou repensar as minhas estratégias de King of Tokyo para a jogatina de hoje… [Carol Reis]

BLACK HOLE

No ano passado, a editora Darkside trouxe de volta ao Brasil uma das obras mais populares dos quadrinhos das últimas décadas: Black Hole, de Charles Burns.

Vencedora de nove Harvey Awards, dois Ignatz e do Eisner de melhor obra em 2006, Black Hole é uma história de terror ambientada nos arredores de Seattle nos anos 70, onde uma doença desconhecida sexualmente transmissível se espalha e infecta principalmente os jovens, mudando completamente suas aparências e seus comportamentos. Através das narrativas dos protagonistas da obra, acompanhamos as mudanças nas vidas dos infectados, que acabam sendo vítimas não apenas da praga em si, mas da doença da sociedade preconceituosa e violenta em que vivem.

Black Hole é uma alegoria perfeita do que acontecia — e ainda acontece — com as pessoas que contraíram DSTs em uma época em que pouco se sabia sobre esse tipo de doença. As pessoas eram vistas como monstros, e a desinformação somada ao preconceito gerava falta de empatia e violência. Apesar do clima de terror reforçado pelos traços fortes de Burns, o verdadeiro terror está na precisa e certeira crítica à sociedade feita pelo autor. [Dyego Seminario]

HELLBLADE – SENUA’S SACRIFICE

Enquanto Shadow Of The Tomb Raider não para de travar e me impede de escrever uma análise show para o Metagene, decidi recomeçar alguns jogos. Um deles foi Hellblade – Senua’s Sacrifice, e tinha esquecido o quão incrível esse game independente é.

Com gráficos estonteantes, Hellblade é um jogo em terceira pessoa com elementos de aventura e puzzles, muitos puzzles. Mas a jogabilidade, que não deixa a desejar, é de longe a coisa mais interessante dessa maravilha. Além disso tudo, ainda temos uma temática de terror psicológico rolando durante todo o tempo de gameplay. O jogo da Ninja Theory lançado em 2017 — que tem uma média de 80% no Metacritic e alguns prêmios embaixo do braço — conta a história de Senua, uma guerreira Celta que sofre de algum tipo de distúrbio – provavelmente esquizofrenia – que faz com que escute vozes.

Posso afirmar categoricamente que o uso de um bom headset faz toda a diferença na imersão do jogo. O estilo de captura de áudio binaural – sim, a mesma utilizada em ASMR – te coloca na pele da protagonista como nenhum outro game que já vi, contando ainda com uma opção VR, muito mais imersiva.

A história parte do ponto em que Senua, após encontrar sua tribo massacrada por vikings, decide ir até Helheim para resgatar a alma de seu parceiro, Dillion, das mãos da deusa Hela. Daí em diante, vemos a história se revelar através das vozes — algumas amistosas e outras nem tanto — e cutscenes lindíssimas de tirar o fôlego. Aos poucos, montamos o quebra-cabeças e não nos decepcionamos.

Já no finalzinho de setembro, o mês da conscientização e prevenção do suicídio, jogos que abordam a temática dos distúrbios psicológicos são uma ótima pedida pra iniciar a conversa sobre o assunto. Nesse final de semana, pare tudo que tá fazendo e vai lá jogar Hellblade – Senua’s Sacrifice pra dar aquela refletida. [Isadora Martiniano]