Sejamos sensatos: nós meio que esperávamos por uma bomba e o resultado tenebroso da primeira temporada de Punho de Ferro foi exatamente isso. Problemas na produção, roteiro questionável, pouquíssimo tempo de preparo do ator principal para o papel… Essas foram só algumas das desculpas que os responsáveis pela série usaram para tentar blindar o seriado e pedir um voto de confiança para os fãs visando a segunda temporada.

Justiça seja feita: até que melhoraram umas coisas viu? (Não muito, mas melhorou)

[AVISO: esse post pode conter spoilers]

Danny Rand (Finn Jones) é de longe o personagem mais insuportável dos quatro defensores — e provavelmente um dos piores de todo o universo Marvel da Netflix. Ele é a personificação daquele estereótipo do “moleque de prédio”: a criança que tem o brinquedo mais legal do condomínio e que esfrega isso na cara de todo mundo o tempo inteiro. Ninguém aguentava mais, e sua série solo não deu nenhum indício de que as coisas iriam melhorar.

Contudo, com os acontecimentos finais de Os Defensores, algo mudou em Danny, que agora enxerga as coisas de uma forma diferente, com uma outra postura e um novo comportamento. Essa mudança é nítida em sua curta (porém ótima) participação na segunda temporada de Luke Cage (Netflix, por favor nos dê uma série só dos dois de puro Heroes of Hire). O próprio Cage fica surpreso ao perceber que Danny se tornou uma pessoa suportável e (quase) agradável, dando até bons conselhos e usando de seus aprendizados em K’un-Lun para algo além da frase “eu sou o imortal Punho de Ferro”, repetida trilhões de vezes na primeira temporada.

E não é que o cara tá menos chato mesmo?!

Agora que a organização The Hand (vocês me perdoem, mas eu não consigo falar Tentáculo) se foi, o Portão de K’un-Lun se fechou e Matt Murdock foi dado como morto, os demais defensores estão fazendo seus respectivos pés-de-meia. Alguém tem que cuidar da cidade, e Danny assume esse papel, correndo pelas ruas à noite com uma flanela amarela no rosto (aliás, que referência preguiçosa hein?!).

Danny tenta controlar o crime entre as facções criminosas existentes em Chinatown, mas fica muito claro logo nos primeiros episódios que o protagonista segue por esse caminho muito mais por falta de objetivo próprio e por ter sido conduzido à isso do que qualquer outra coisa — o que é um problema nítido na narrativa da série. A segunda temporada inteira é uma sequencia enorme de coincidências quase cômicas numa tentativa frustrada de manter todos os núcleos relacionados e bem amarrados — e infelizmente passou bem longe disso.

Com o Punho de Ferro brincando por aí de Demônio de Hell’s Kitchen, Colleen Wing (Jessica Henwick) — que continua como o ponto de sensatez e bom senso do seriado — começa a investigar o misterioso passado de sua família. Apesar de ser um núcleo bem tedioso, lento e que não termina de um jeito lá muito interessante, esse plot deixa um gancho MUITO interessante pra próxima temporada. Além disso, a parceria de Colleen com Misty Knight (Simone Missick) rende boas cenas de luta e também momentos de descontração que fazem valer um pouco do tempo investido na série. Por outro lado, a família Meachum continua um porre insuportável, e isso é tudo que vale a pena citar sobre os dois irmãos.

Mulheres maravilhosas que mereciam uma série só para elas.

Agora, sobre os benditos vilões do segundo ano: se você assistiu ao trailer da temporada, deve ter percebido que Davos (Sacha Dhawan) voltou e que ganhou o poder do Punho de Ferro, certo? Bom, infelizmente essa história não desenvolve muito mais além disso: ele tenta tomar o manto do Iron Fist se tornando um vigilante louco que lidera um exército de trombadinhas que lutam artes marciais.

Contudo, eu já não esperava muita coisa de Davos. A minha grande decepção ficou mesmo por conta da vilã “Typhoid Mary” Walker (Alice Eve). Imagine um dos antagonistas mais legais do Demolidor com diferentes personalidades e que causa um estrago desgraçado de todas as formas possíveis. Era isso o que esperávamos. E o que a série entrega? TÉDIO. Sério, ela é um porre. Apenas duas de suas personalidades aparecem, e além de não serem lá muito intimidadoras, também não fazem nada que não seja lutar bem pra caralho e dar uma verdadeira surra em Danny em determinado momento — que foi até agradável de assistir, não vou mentir.

Pela primeira vez na série vemos Danny Rand apanhar TANTO, que chega a quase dar dó. No entanto, as coisas poderiam ter sido ainda piores para o herói: Typhoid Mary poderia ter usado seu conjunto completo de poderes (telecinésia, controle do fogo e o poder de implantar pensamentos e comandos na mente de outras pessoas) para quebrar Danny de todas as formas possíveis. Imagina só o estrago que ela faria… Mas isso não acontece. Deixaram os aspectos mais legais da vilã para a próxima temporada, e isso é tão frustrante que chega a bater uma tristeza.

Assistindo esses dois nessa temporada eu estava só a expressão do Davos.

A segunda temporada de Punho de Ferro é melhor do que a primeira. Aliás, BEM melhor. Os coadjuvantes têm mais espaço para crescer e Danny Rand deixou de ser um mimado, tentando fazer algo realmente útil — mesmo que esteja funcionando no automático. As lutas e coreografias finalmente convencem, e algumas cenas conseguem até te deixar inquieto na cadeira — o que é um ótimo sinal de que, aos poucos, os produtores estão corrigindo as coisas.

A desgraça fica por conta do roteiro pobre e completamente preguiçoso que realmente mata a série e o interesse por ela. Percebeu que nos últimos parágrafos eu não contei nada de muito relevante? Pois é gente, é porque realmente não tenho nada para acrescentar. No fim, Punho de Ferro segue sendo uma série com boas ideias, mas com uma execução extremamente pobre.

No entanto, preciso admitir que os últimos dois episódios deixaram um rumo bem maluco para a terceira temporada e, talvez (eu disse TALVEZ) venha algo melhor por aí. Se você decidir assistir, faça isso pelas cenas de porrada e por Colleen e Misty. Aliás, fica a dica Netflix: por favor, nos dê uma série só das duas!

PS: Tem um teaser de 30 segundos de Demolidor no minuto final da temporada e… O homem tá vivo. E puto.