Vou começar a review escrevendo sobre a parte boa: sim, o jogo tem seus méritos. A história é simples, mas muito interessante para a proposta do game de nos mostrar o início da carreira do cavaleiro das trevas. O clima lembra bastante a trilogia de filmes do Nolan e da clássica HQ Batman: Ano Um, onde o Batman é visto como um vigilante e ainda não tem a confiança da polícia e da população que luta para defender. Os laços estabelecidos com personagens importantes são muito bem construídos, especialmente com o Coringa, que faz sua primeira aparição aqui. Outros também tiveram merecidos destaques, como Bane, Arlequina, Gordon e Bárbara – ainda muito jovem, mas nos mostrando o potencial que todos sabem no que vai dar.

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Não me entendam mal. Arkham Origins é um ótimo game, tem uma história interessante (com direito a um plot twist que a torna ainda melhor), e tem tudo o que adoramos nos seus antecessores, desde a jogabilidade até os gadgets do morcegão. Então porque diabos é um jogo desnecessário?

A verdadeira origem da franquia

Em 2009, a Rocksteady lançou Arkham Asylum e, sem exagero algum, digo que foi o jogo que elevou e redefiniu a qualidade dos games baseados em heróis. Pela primeira vez, um produto soube aproveitar de forma precisa todos os recursos utilizados pelo homem-morcego que o tornam, até hoje, um dos heróis mais amados. O cuidado que a produtora teve com o game foi impecável: a jogabilidade, a trilha sonora, a construção dos personagens, a dublagem – destaque para o nosso eterno Luke Skywalker, Mark Hammil, de Coringa – e o roteiro bem trabalhado por Paul Dini, transformaram o jogo em um produto final épico. Seu enorme sucesso criou uma dúvida: seria possível que a sequência superasse algo considerado perfeito dentro de sua proposta? E então, em 2012, Arkham City foi lançado e nos tirou essa dúvida com um grito em caps lock de “SIM, CARA!”.

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Não importa qual dos dois é o seu favorito. O fato é que a continuação foi uma evolução em todos os sentidos. O novo mapa era enorme. Se antes estávamos restritos ao ambiente do asilo de Arkham, desta vez fomos apresentados à uma verdadeira cidade de criminosos, com problemas acontecendo em tempo real, cabendo ao jogador a decisão de interferir ou seguir para outros objetivos. O roteiro foi um destaque à parte, responsável por criar um clima cinematográfico conforme nos aproximávamos do clímax da história. A jogabilidade aprimorada, as novas ferramentas, a presença de alguns vilões que não apareceram no game anterior, e a possibilidade de jogar parte do storymode com a Mulher-Gato – e com o Asa Noturna e o Robin no modo desafio – trouxeram um sopro de novidade merecido e necessário para que os fãs não tivessem aquela sensação de “mais do mesmo”.

A questão da expectativa

Finalmente chegamos a Arkham Origins, o prelúdio da série. Outro estúdio na produção, novos dubladores, e o mapa de Gotham à disposição dos jogadores. É um bom game? Sim. Mas é também um tapa de bat-luva na cara dos fãs. A evolução que vimos do primeiro para o segundo jogo não aconteceu aqui. Não realizamos o sonho de dirigir o Batmóvel pelas ruas, ou de jogar o storymode com outros personagens importantes daquele universo. Mas esperem, tem o Batwing! Ah, mas foi apenas um recurso de fast travel do game. A nossa prometida Gotham nada mais é do que uma Arkham City remodelada (conforme a própria história da franquia sugere), e com os criminosos mais perigosos caçando o Batman na noite de Natal, toda a população está escondida em casa. Ou seja: coloquem aspas no nome da cidade.

Sonho meu...

Sonho meu…

O jogo é curto e com um nível de dificuldade abaixo do esperado. Diferente dos seus antecessores, poucas vezes fomos obrigados a revisitar um local para acessarmos novas áreas, e isso fez com que a dimensão enorme do novo mapa se tornasse extremamente desnecessária, dando a sensação de que a sua criação teve um objetivo mais visual do que funcional. A presença de alguns vilões chegam a ser frustrantes. O melhor exemplo disso é o Electrocutioner, que é vencido com apenas um chute. É sério: UM.CHUTE.

O jogo que não merecíamos, mas que…tá, também não precisávamos

De uma maneira geral, Batman: Arkham Origins é um ÓTIMO game, mas chegou na hora errada. É inevitável imaginar que, se os jogos fossem lançados em ordem cronológica, a nossa maneira de analisar seria completamente diferente, pois seria um processo de evolução natural. É bem divertido, tem bons gráficos, mas é isso. Um dlc de luxo. A falta de inovação e evoluções sem sentido trouxeram a tona a temida sensação de repetição. A sorte é que nesse caso é uma sensação muito boa, graças a qualidade absurda de Arkham Asylum e City. Valeu o preço, mas não tive em mãos o jogo do ano.