Batman Vs Superman: A Origem da Justiça é, tranquilamente, um dos filmes de super-heróis mais aguardados da história. Depois que Frank Miller deu seu toque ao Homem Morcego, parece que a briga entre os mais icônicos heróis da DC se tornou um dos momentos favoritos para qualquer fã de quadrinhos.

O filme é motivo para polêmicas desde o seu anúncio, tanto por esconder sua trama da mídia, quanto por aquilo exposto em seus teasers e trailers.

E agora que o filme já saiu, chegou a hora de ver se ele é bom de verdade.

AVISO: tem spoilers. Se não ligar para isso ou se já tiver visto o filme, vai que vai.

SUPERMAN 2.0 3D

Se você é daqueles que não são tão ligados nos quadrinhos de heróis ou que não vêem filmes buscando profundidade, um pouco de paciência com alguns dos efeitos de BvS será o suficiente para se divertir bastante.

Isso porque o filme é, de certa forma, um O Homem de Aço melhorado.

Créditos pro Homem de Aço pela porradaria e pelo tom de BvS. Essa parte da herança deu bem certo.

Créditos pro Homem de Aço pela porradaria e pelo tom de BvS. Essa parte da herança deu bem certo.

Assim como seu antecessor neste universo da DC, BvS conta, através de flashbacks e dicas em seu roteiro, a história e a ascensão de um grande herói da franquia. Se no primeiro filme o foco ficou em Kal-El, Batman Vs Superman dá, inegavelmente, mais atenção ao Cavaleiro das Trevas. Vemos a origem do herói (resumida, felizmente!), seu ponto de vista sobre seus rivais ser construído, seus ideais e suas ações colocadas em cheque e, é claro, muita pancadaria entre ele e outros personagens.

As cenas de ação parecem seguir o padrão do Homem de Aço: cheias de efeitos de câmera trêmula para dar o ar de real, lens flare para todos os lados, e destruição causada em níveis épicos.

Muitos vão achar o CG ruim e o filme dark demais, talvez até rendendo comparações ao também polêmico Sucker Punch: Mundo Surreal por isso. Eu, pessoalmente, achei a qualidade de produção dentro das condições atuais do cinema, e mais ainda, dentro do tom da franquia.

Isso fora uma cena em que Superman, Batman e Mulher-Maravilha estão lado a lado, em frente a um grande cenário de destruição, do qual é nítido que eles não fazem parte. Afinal, por que gastar um pouco mais e produzir um efeito de tela verde que preste se a gente nem vai notar, não é mesmo?

Fora esses detalhes de produção, falando dos visuais e da ação do filme, afirmo: BvS é bom para qualquer um que não desgoste do jeito do diretor Zack Snyder de fazer cinema, e que queira ver sem compromisso uns socos trocados entre personagens clássicos das HQs.

O PESO DOS MANTOS

O filme pode ser divertido para quem for vê-lo com menos expectativas, mas para o resto – fãs do Morcego, do Homem de Aço ou qualquer nerd que curta um pouco mais esse tipo de história -, o mais certo é apostar em amor ou ódio. E isso, em grande parte, se dá pelo fato de grande parte dos acertos e erros do filme estarem em seus personagens, algo que fica claro em seus extremos.

A mais experiente dos heróis da nova Liga. Se ela for a líder, todo mundo vai ficar bem no final.

A mais experiente dos heróis da nova Liga. Se ela for a líder, todo mundo vai ficar bem no final.

De um lado temos Batman e Mulher-Maravilha. O primeiro é uma das melhores versões do herói fora dos quadrinhos. Talvez a melhor, se considerarmos que essa versão do Bruce nunca foi vista antes – mais velho, experiente e focado em resultados rápidos e definitivos contra vilões e outras ameaças -, o que a deixa ainda mais interessante.

A segunda é, definitivamente, uma surpresa muito boa. As dúvidas que haviam sobre a versão de Gal Gadot para Diana foram amenizadas logo em seu primeiro diálogo, e zeradas completamente quando a heroína apareceu em ação. Triste que seu uniforme siga não sendo o ideal, que ainda priorize mostrar a beleza física da personagem. Mas, sem dúvida, todo o resto colabora para a visão de uma personagem feminina forte, digna de respeito, do jeito que deveria ser.

Aceitem, haters: Batfleck é sucesso.

Aceitem, haters: Batfleck é sucesso.

E nada do Superman nessa lista de heróis mesmo, porque Cavill entrega apenas o que era preciso para seu personagem: um herói poderoso e imponente, que busca o certo, que está em dúvida de suas ações… Mas quase inexpressivo. Suficiente para a história, mas não para ganhar o afeto dos fãs.

Por outro lado, os vilões são duas grandes decepções. Apesar de já ter ido ver o filme com previsões bem alinhadas para Luthor e Apocalipse – dizendo que não seriam retratações fiéis dos quadrinhos, mas que poderiam ser, ainda assim, mais do que satisfatórias -, não esperava que Luthor seria um vilão tão “clichê da DC”. Ou seja: aquele perfil de louco hiperativo, de gênio estranhão, derivado do Coringa de Cesar Romero, e mantido por diversos personagens da franquia em filmes, séries, desenhos animados e até HQs.

Melhore, Jesse. Melhore.

Melhore, Jesse. Melhore.

Contudo, diferente de Romero e outros que deram certo nessa proposta, Jesse foi infeliz em seu papel. Seja por ser um perfil que destoa muito do que é Lex Luthor nos quadrinhos, ou seja pelo personagem ter saído Jesse Eisenberg (e destrambelhado, e nonsense) demais, fato é que não convenceu.

Já o problema do vilão Apocalipse é outro: é a simples presença do vilão no filme.

GASTANDO FICHAS

Desde a primeira vez em que Apocalipse apareceu nos trailers, já imaginava que sua participação seria um erro. Como justificar um dos adversários clássicos do Superman aparecendo logo no segundo filme deste universo, como vilão secundário, e em um filme compartilhado do herói?

Precisava ter esse cara num filme cujo foco é a briga entre Batman e Superman?

Precisava ter esse cara num filme cujo foco é a briga entre Batman e Superman?

O negócio é que não justificaram. Apesar da criatura fazer jus em muitos pontos à sua versão original – pelo funcionamento de seus poderes, pelas cenas de ação entregues e pela destruição causada -, sua existência no filme só serve para mostrar que, como muitas coisas em BvS, tentaram colocar coisas demais em um filme só.

Prova disso é a origem apressada e mal explicada do vilão, que chega a lembrar da problemática cena da “piscina” do Thor em Era de Ultron de tão wtf.

"Ai, caceta! Dessa forma todo mundo vai pensar que o filme é do Batman!"

“Ai, caceta! Dessa forma todo mundo vai pensar que o filme é do Batman!”

E esse é apenas um dos casos, para não citar o encaixe forçado do Ponto de Ignição de Flash, da (suposta) presença de uma Caixa Materna à origem do Ciborgue, e a ameaça – desnecessária para este momento da franquia – de Darkseid.

PARA RESOLVER NO 2º ROUND (OU NO TERCEIRO, NO QUARTO…)

Batman vs Superman: A Origem da Justiça, pode não ser o filme mais perfeito da DC. Afinal, a forma como sua história é contada não é fácil de se entender, existem furos em seu roteiro, seus principais vilões tem falhas e sua aposta de inserir elementos demais à trama só serve para gastar um tempo valioso de filme.

Contudo, BvS é corajoso, é suficiente para dar sequência às demais histórias desse universo, tem bons personagens e, sem dúvida, pode divertir muito os fãs.

Resta torcer para que as próximas apostas da DC saibam tirar o melhor deste filme, e que sejam tão corajosas quanto ele.