Cabeças rolarem…Game of Thrones…entenderam? Hã-hã? Gostaram?

GoT - Review Ep.1 - 01

Ok, acho que o povo do Norte não aprovou. Vamos direto para a review.

A ideia da Telltale produzir um jogo baseado em Game of Thrones é simplesmente perfeita. Aquele combo que encaixa, sabem? Os livros e a série nos contam histórias cheias de decisões morais, éticas e políticas que acabam ditando o rumo deste universo. Misturar essa característica com a desenvolvedora conhecida por criar uma narrativa baseada nas escolhas do jogador, soa como o casamento perfeito para mim. E não é um vermelho.

Uma aula de storytelling

GoT - Review Ep.1 - 02

Apesar de ser baseado na série da HBO, a narrativa segue a estrutura dos livros, alternando entre três personagens principais (e contando): Gared Tuttle, o fiel escudeiro de Gregor Forrester, o Lorde de Ironrath; e os irmãos Ethan e Mira, dois dos seis filhos de Gregor. Toda a história gira em torno da Casa Forrester, que é claramente inspirada nos Starks. Cada personagem segue por um caminho em um núcleo diferente, mas todos são responsáveis por nos mostrar as diversas faces desse mundo. Enquanto Gared nos mostra a ação física dos combates e da guerra, Mira e Ethan são os personagens que exigem dos jogador pensar e raciocinar. As cenas da garota despertam o nosso lado estratégico, enquanto as do seu irmão mais novo exigem um raciocínio mais diplomático. Seja qual for as decisões tomadas através dos personagens controláveis, a verdade é que, os Forresters são apenas pequenas peças nesse enorme tabuleiro de xadrez medieval.

A característica política da série parece dar um peso maior nas decisões a serem tomadas. Em The Walking Dead as opções tinham como foco estabelecer escolhas morais para construção dos personagens em um ambiente de sobrevivência. Já em The Wolf Among Us, muitas vezes as opções eram focadas na maneira que você gostaria de construir a personalidade de Bigby – o ótimo personagem principal – e em como os outros personagens o enxargariam. Em GoT, a sensação é a de que misturaram todas as escolhas éticas e morais dos outros jogos e adicionaram as possibilidades de construir diversos caminhos interligados pelas narrativas, cada um podendo interferir no outro de alguma maneira e em algum momento. Isso torna o simples ato de escolher uma tarefa extremamente complicada que nos faz pensar em todos os cenários e consequências de cada opção.

A brutalidade de Westeros através dos gráficos e da jogabilidade

GoT - Review Ep.1 - 03

Se The Walking Dead e The Wolf Among Us tinham os gráficos mais cartunescos por serem inspirados em HQ’s, Game of Thrones parece um jogo feito a base de pincéis, como uma grande tela (muito apropriado para um game que pode ser considerado uma nova obra de arte da Telltale, não?). O visual está mais sombrio do que os outros jogos da empresa, o que foi uma decisão muito acertada por combinar melhor com a ambientação da série. Tecnicamente, percebi pequenos glitches em alguns momentos, mas nada muito bizarro que atrapalhasse o andamento do game.

Através das cenas de Gared, somos apresentados a um sistema de batalhas mais tenso e difícil do que nos outros títulos da Telltale: ao invés de mirarmos, clicarmos e aguardamos a ação, desta vez temos que mirar, segurar um determinado botão por um tempo e ainda apontarmos na direção correta. Parece bobagem, mas essa pequena mudança deixou a jogabildade de combate mais dura e bruta, condizente com a temática da série da HBO.

Se é a primeira impressão que fica…

O grande mérito do Game of Thrones da Telltale é conseguir reproduzir com perfeição toda a atmosfera do universo criado por George R.R. Martin para despertar o mesmo sentimento que temos ao ler ou assistir qualquer conteúdo relacionado a este mundo. Após cinco livros e quatro temporadas à disposição, seria normal imaginar que os fãs não se surpreendessem com os acontecimentos do jogo mas, o que aconteceu neste primeiro episódio foi a prova de que uma boa narrativa é fundamental para uma experiência imersiva de qualidade. Criar personagens inéditos e fazê-los interagir com os clássicos foi a melhor decisão para instigar os fãs a consumirem esse novo produto. Com um universo tão rico, seria uma pena restringi-lo apenas ao que já é conhecido e popular.

Que venha o episódio 2. E que chegue antes do eterno  inverno prometido pelo Martin.