Tenho me deparado com diversas daquelas listas típicas de fim (ou começo) de ano, com apanhados dos melhores games de 2015.

Entre os títulos já esperados – como The Witcher 3, Fallout 4, Bloodborne, Batman: Arkham Knight, Life is Strange, entre outros – um jogo que chamou minha atenção por aparecer com frequência foi Ori and The Blind Forest.

Lembrava de ter visto seu trailer na época do lançamento (em março do ano passado) e ficado interessado, mas não imaginava que ele pudesse fazer tanto sucesso.

E após algumas horas de jogo, me arrependi de ter esperado tanto para conhecer Ori.

UM ROSTINHO (BEM) BONITO

Ori and The Blind Forest é um dos games mais bonitos que já joguei. O visual é simplesmente incrível: é como se você estivesse assistindo um desenho, plugasse o controle na TV e passasse a comandar os personagens.

Ori é tão lindo que parece um cartoon jogável.

Ori é tão lindo que parece um cartoon jogável.

A floresta de Nibel, lugar onde a história é ambientada, funciona como um ecossistema operando à todo o vapor. Absolutamente todos os elementos que compõem o universo de Ori parecem vivos: as árvores balançam com o vento, fazendo as folhas caírem; a água está em constante movimento; as chamas parecem arder – e por aí vai.

O universo do game parece vivo, independente do cenário.

O universo do game parece vivo, independente do cenário.

Essa vivacidade transmitida pelo ambiente não serve apenas para reforçar a beleza do jogo, mas também para fazer com que os jogadores se importem com o lugar que devem salvar: ao apresentar os personagens interagindo com um lugar lindo e cheio de cor na cutscene inicial para, em seguida, mostrar a destruição que tornou o mundo um caos, o game cria um laço emocional com os jogadores.

Mas a beleza do jogo vai além do visual.

O PODER DA SIMPLICIDADE

A historia de Ori é extremamente simples: a floresta Nibel tem a grande Árvore Espiritual como responsável por seu equilíbrio. Em uma noite chuvosa, uma de suas folha se desprende: trata-se do nosso protagonista Ori, uma criatura cuja aparência é 99% Stitch (de Lilo & Stitch), mas com aquele 1% de Pokémon.

O pequeno é adotado por Naru, e os dois passam a viver juntos em perfeita harmonia. Mas a paz é ameaçada quando a escuridão invade Nibel e destrói o equilíbrio da natureza. O objetivo é restaurar a Luz dos três elementos principais que sustentam a Árvore Espiritual para banir de vez as trevas.

Ori é adotado por Naru, e já no início o jogador se sente conectado aos personagens.

Ori é adotado por Naru, e já no início o jogador se sente conectado aos personagens.

Simples, não é mesmo? E isso não é um problema.

O foco do game é atingir o lado sentimental dos jogadores. E, para isso, a Moon Studios opta pela simplicidade reforçada através da construção de um mundo com elementos naturais, da história clássica da “Luz VS. Escuridão”, e principalmente da simbologia presente nos personagens:

Ori obviamente representa a “Luz”. Não só por ser o nosso herói, mas pela decisão estética de fazê-lo brilhar para se destacar em um mundo com cores vibrantes.

Naru, sua mãe adotiva, se assemelha a personagens como Baymax, de Big Hero 6; Po, de Kung Fu Panda, e Snorlax, de Pokémon, para passar a sensação de aconchego e proteção materna.

Kuru, a vilã do jogo, representa as trevas que dominam a floresta de Nibel.

Kuru, a vilã do jogo, representa as trevas que dominam a floresta de Nibel.

Já Kuru, a vilã do jogo, é uma coruja gigante com os olhos cheios de raiva e pelagem negra para representar a “Escuridão”; as trevas que tomam a floresta de Nibel.

Com essas representações tão evidentes e simples, o game se desprende da necessidade de desenvolver uma narrativa complexa para garantir a diversão dos jogadores através de uma jornada sentimental.

FOCO NA DIVERSÃO

Ori me lembra bastante aqueles antigos games de plataforma, como Rayman e Metroid. O jogo é proporcionalmente divertido e difícil. Muitas vezes quebrei a cabeça para descobrir como solucionar um puzzle, e morri incontáveis vezes – mesmo sabendo o que precisava ser feito. Portanto, prepare-se: é um game desafiador.

O desafio, a dificuldade e a diversão proporcionados pelo jogo são resultados de uma jogabilidade inteligente e muito bem construída. Você começa sem nenhuma habilidade, podendo apenas andar e pular. Aos poucos, com o avanço da história, novas skills são adquiridas.

As habilidades são adquiridas de forma mais lenta para acostumar os jogadores com os comandos.

As habilidades são adquiridas de forma mais lenta para acostumar os jogadores com os comandos.

À princípio parece um pouco chato ter que esperar para aprender as coisas, mas lá na frente percebemos o quanto essa decisão é importante: ao nos forçar a aprender a usar as habilidades aos poucos, o game nos ensina a jogar.

Perto do fim, você fica no piloto automático, já sabendo todas as combinações de botões e skills para avançar nas fases que ficam cada vez mais difíceis: pulo duplo, agarrar, escalar, planar, pisar, contra-atacar – e por aí vai. O jogo te força tanto a usar cada uma das habilidades, que é praticamente impossível confundir os botões em um momento de pura ação. É uma aula de game design e evolução.

O mapa de Ori é enorme. E existe um motivo para isso.

O mapa de Ori é enorme. E existe um motivo para isso.

Além disso, através da jogabilidade, o mapa de Ori parece mais amplo. É um mundo enorme, mas não aberto.

Ao adquirir novas habilidades, é possível revisitar as áreas antigas para acessar novos lugares e avançar na história, o que deixa o game dinâmico e dá sentido para a extensão do mapa.

UM DOS MELHORES GAMES DE 2015

Ao terminar o jogo, percebi o motivo de Ori and The Blind Forest ter sido apontado por diversos sites como um dos melhores games do ano passado.

O jogo é divertido, inteligente, desafiador, bem construído e lindo – tanto no sentido visual quanto no emocional. É uma ótima experiência que lembra uma época diferente dos games; mais simples, na qual a diversão era o foco.

Se você ainda não conhece Ori, corra. Não vai se arrepender.