Demorou, mas chegou! O segundo episódio de Tales From the Borderlands, Atlas Mugged, retoma a aventura western/steampunk narrada por Rhys e Fiona exatamente do ponto que fomos deixados em Zer0 Sum, com nossa turma de cowboys do espaço presos em um laboratório subterrâneo.

A história dos dois personagens continua parecendo uma ladainha pré-fabricada, mas mesmo não acreditando em uma palavra do discurso dos nossos protagonistas, continuo ansiosa para descobrir o que diabos aconteceu para que eles acabassem presos pelo misterioso mascarado.

Você está morto, Handsome Jack!

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Os acontecimentos dos primeiros vinte minutos de jogo são o grande destaque de Atlas Mugged, visto que é justamente nessa amarração entre os dois episódios que o plot passa a ser desenvolvido com maior profundidade – fazendo a história fluir e presenteando os jogadores com uma nova gama de possibilidades para o restante da temporada.

Mas não se enganem, porque a premissa ainda é a mesma: a motivação dos nossos protagonistas continua sendo o dinheiro e a busca pelo pote de outro no final do arco-íris de Pandora. Entretanto, a adição de uma personagem mexeu com a estrutura narrativa da história: Handsome Jack.

O vilão defunto é apresentado ao jogador como uma espécie de fantasma holográfico, com a personalidade característica de um milionário sem escrúpulos: metido, autoconfiante e arrogante. Apenas Rhys tem acesso à versão assombrada de Jack, fazendo com que os outros personagens acreditem que ele tenha ficado completamente pirado após uma violenta pancada na cabeça.

Com Handsome Jack na jornada, tudo o que já conhecíamos perdeu um pouco de sua estabilidade. Ainda que de forma subjetiva, conseguimos captar neste segundo episódio que a dimensão do roteiro de Tales From the Borderlands vai muito além daquilo que foi apresentado no episódio de estreia, ampliando os questionamentos iniciais que haviam sido colocados na mesa no capítulo anterior. Neste momento, tudo é possível com a presença de Jack.

ATENÇÃO: Isso é apenas um jogo

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Em Tales From The Borderlands, vivemos em um labirinto de universos e narrativas unificadas, que dado certo momento da história, fazem questão de enfatizar que “não, essa não é a sua história” e “sim, isso aqui é apenas um jogo”.

Uma das características mais fortes da série, é justamente este humor ácido utilizado nos diálogos e ações dos personagens, e na interação com os jogadores. Neste episódio, o recurso ganhou uma nova proporção, e com isso pudemos presenciar a quebra da quarta parede.

Essa quebra acontece em momentos bastante pontuais de Atlas Mugged: quando entramos na narrativa ambientada no passado, a imersão é tão grande que esquecemos que esta parte da história está sendo contada por Fiona e Rhys, e é justamente nos momentos cruciais (como decisões importantes a serem tomadas através de diálogos ou ações), que a quebra acontece, deixando a experiência de jogo dinâmica e engraçada.

Juntos mesmo quando separados

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Se em Zer0 Sum vimos o encontro da equipe, em Atlas Mugged tivemos o desencontro dos personagens e o que esta ação pode vir a acarretar.

Mesmo quando Fiona e Rhys estão separados, a Telltale consegue dar um jeito de reforçar a força da união dos protagonistas, lembrando o jogador de que na linha temporal do presente – aquela em que a história é contada – nossos heróis não apenas interagem juntos, como também estão literalmente amarrados um ao outro.

As narrativas isoladas dos personagens principais não comprometem em nada o jogo ou a experiência da história em sua totalidade, mas é justamente a união de polos tão opostos que cria a possibilidade de diálogos tão inteligentes e humorados.

Mais do que nunca, ficou bastante claro que é a interação entre Rhys e Fiona que molda o jogo em sua melhor estrutura, e que ambos funcionam melhor juntos do que trabalhando em linhas diferentes com seus respectivos sidekicks.

O mundo da internet e suas comparações sem fundamento

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Com um catálogo de jogos serializados em constante crescimento, é natural que surjam comparações entre os títulos da Telltale. Diversos comentários tendem a comparar Tales From The Borderlands com os hypados – ainda que excelentes! – Game of Thrones e The Walking Dead.

Esse tipo de com comparação cai sempre no mesmo lugar, colocando os títulos de grande notoriedade como peças excelentes e TFTB como algo raso, com um visual cartunesco descuidado e a falta da dramaticidade tão presente seus densos irmãos de produção.

Pra quem não sabe, a Telltale tem como um de seus games pioneiros o título Monkey Island, um dos jogos mais divertidos feitos até hoje. A ideia é justamente deixar o lado dramático e intenso de lado a fim explorar a versão engraçadinha de uma storytelling interativa, e mostrar o quanto um jogo também pode existir dentro de uma segmentação humorística de uma produção digital.

A série original Borderlands, que inspirou a Telltale a criar sua série episódica, também vem recheada de humor em sua franquia, e soaria fora de contexto transformar a história em algo dramático e realista.

Tales From the Borderlands veio justamente como um “novo gênero” dentro do catálogo de lançamentos para o estúdio. Algo que pode ser apreciado do hardcore ao casual player.

Uma lista de elogios e a espera por Catch a Ride – Episódio 3

Só tenho elogios a fazer sobre Atlas Mugged e a excelente construção do seu roteiro (que deixa muitas mesas de roteiros televisivos para trás).

Eu poderia ficar aqui dizendo maravilhas até amanhã, ou escrever sobre o quanto a trilha sonora é incrível, o quão bem editada foi a cena em slow motion e que sim, cada vez fico mais e mais fã dos trabalhos excepcionais das dublagens de Troy Baker e de Laura Bailey. Poderia, mas não vou.

Me limito apenas a dizer que, a cada episódio, Tales From The Borderlands consegue reforçar e aprimorar suas principais características, misturando humor e ação em narrativas que conseguem fazer os jogadores mergulharem de cabeça no mundo de Pandora.

Mal posso esperar pelo próximo episódio para dar boas risadas e tentar ajudar ajudar Fiona e Rhys a colocarem as mãos na fortuna tão desejada.