Depois de jogar Catch a Ride, terceiro episódio da divertida aventura de Rhys e Fiona, cheguei à conclusão de que Tales From The Borderlands é sem duvida alguma o melhor titulo já lançado pela Telltale Games.

Por fazer parte de um nicho menos abrangente (quando comparado a seu carro chefe The Walking Dead, ou mesmo o atual hypado Game of Thrones), a série com cara de faroeste espacial acaba repousando na sombra de suas irmãs, deixando de atingir as várias camadas do público gamer. Apesar de muitas vezes cair no esquecimento dos carrinhos de download, engana-se quem pensa que o jogo é inferior aos grandes títulos da empresa.

Neste episódio – e nessa review – você irá entender porque Tales From The Borderlands mostra o quão longe um drama interativo por ir, voltar e chegar – tudo de uma vez só em seu ponto alto de genialidade.

Sempre cabe mais um

Se tem uma coisa que TFTB não cansa de fazer, é apresentar ao público novos personagens em sua movimentada trama futurística. Em dois episódios conhecemos um elenco repleto de gente maluca, divertida e maldosa. Fosse Handsome Jack com sua dualidade questionável ou Vazquez com seu comportamento detestável, o jogo soube introduzir cada um de seus personagens em momentos bastante pontuais.

Quando pensamos em um grande elenco, repleto de informações e sub-tramas com adendos a historia principal, desconfia-se que em algum momento a coisa pode desandar em um caminho sem volta. Entretanto, Tales From The Borderlands prova a cada nova adição que seus personagens não funcionam apenas como acréscimos aleatórios de pontas soltas para a história.

Review_TFTB-ep3-(InPost01)

Um bom exemplo disso é Gortys. Até então vista apenas como um passaporte para o pote de ouro no fim do arco íris, a simpática robô ganha vida em Catch a Ride e torna-se uma das mais cativantes criaturas da turma de cowboys do espaço. Agora, não apenas com a função narrativa de abrir as portas de um Vault para a equipe, a robozinha de humor invejável torna-se a verdadeira guia de nossa aventura. Em meio a tanto carisma e coordenadas cheias de entusiasmo, o jogador se desprende da imagem do objeto, projetando conexão afetiva a mais um novo membro de sua questionável turma de amigos.

Além de novos personagens, o novo episódio trouxe também Athena, personagem já conhecida pelos jogadores dos títulos Borderlands e Borderlands: The Pre – Sequel. Com sua melhor carranca e o marcante jeito durão, Athena é inserida na aventura como uma mentora para Fiona, ensinando-lhe a arte de uma caçadora de recompensas, além de chutar bundas sempre que possível.

Precisava mesmo disso?

Apesar de Catch a Ride ser o episódio mais recheado de ação até o momento, os roteiristas da Telltale Games decidiram acrescentar uma nuance a mais para o game episódico.

De uma forma bastante desnecessária e sem nenhum tipo de desenvolvimento ao longo de seus três episódios, Tales From The Borderlands faz questão de nos empurrar garganta a baixo seu toque de romance improvável. Como em um passe de mágica bem torto, Sasha e Rhys se envolvem em um tipo de romance que até o momento não dava a menor pista de existir. A tensão sexual entre Rhys e Fiona foi sempre tão forte, que ficava difícil de imaginar nosso protagonista de caráter duvidoso se envolvendo com qualquer outra pessoa que não fosse sua companheira de crime. Entretanto, por alguma razão inexplicável, decidiram que o apego emocional de Rhys tomaria outra direção.

A Telltale não resistiu e apelou para a "carta romance".

A Telltale não resistiu e apelou para a “carta romance”.

Vejam bem, não tenho nada contra romances, Sasha ou a opção de lhe entregar flores. Tudo é muito bem vindo dentro deste jogo, desde que seja coerente com a trama e tenha algum tipo de desenvolvimento ao longo de seus episódios. Transformar de uma hora para a outra a amizade destes dois personagens em uma paquera sem sal, açúcar e principalmente uma construção narrativa, é o que me deixa com uma careta no rosto quando ambos passam a interagir de forma bastante questionável.

O romance em si poderia ser dispensado. Mas se é um elemento tão necessário, que fosse desenvolvido em doses homeopáticas e dentro de um contexto que fizesse sentido. Em outras palavras: que fosse com Fiona.

Sempre deixando o melhor para o final

Quando digo que esta é a melhor série já desenvolvida pela Telltale Games, não estou exagerando – isso porque sou aficionada por The Wolf Among Us.

Games episódicos baseados em escolhas costumam deixar parte da comunidade gamer com o pé atrás. Muitos questionam sua construção como um todo, alegando que no fim das contas, mesmo com tantas escolhas colocadas em jogo para a finalização de uma temporada, sempre caímos em um mesmo resultado, independente dos fatores que influenciam nossas decisões.

Review_TFTB-ep3-(InPost03)

Entretanto, neste terceiro episódio podemos perceber claramente o quanto a Telltale vem tentando desmistificar essa crença quase coletiva, principalmente quando entrega ao jogador duas narrativas bastante diferentes em seu mais recente episódio.

Para entender melhor, em Atlas Mugged, segundo episódio de Tales From The Borderlands, somos lançados a dois caminhos sem volta que divergem um do outro. Juntar-se a Fiona ou Handsome Jack dividirá a experiência do jogador em gomos totalmente distintos, e é exatamente nesta bifurcação que percebemos o quanto nossas escolhas moldam dois jogos diferentes em uma única linha temporal, surpreendendo o jogador com suas dinâmicas e nuances de mundos quase paralelos.

Transformando um único jogo em dois, a Telltale Games alcança um nível de escrita e desenvolvimento narrativo que supera expectativas, atingindo de forma certeira no meio do alvo ao provar para todos nós que nossas escolhas importam mais do que nunca.

Até a próxima viagem!

Em meio a tantas explosões e metralhadoras automatizadas por droids, um novo desdobramento de tramas é entregue ao jogador, fazendo com que este descubra que o buraco dessa jornada é muito mais repleto de camadas do que havíamos imaginado.

Com bastante movimentação em suas duas horas de episódio, Catch a Ride desenvolve aquilo que esperávamos de uma trama como a de Tales From The Borderland, fazendo com que a ansiedade cercada por pontos de interrogação cresça cada vez mais a cada nova sequência: porque Loader Bot me odeia tanto? Em que momento da historia Rhys se desfaz de seu olho biônico? Será que Handsome Jack está vivo em algum lugar? Quem é o mascarado no deserto de Pandora?

Review_TFTB-ep3-(InPost04)

Com a visível evolução e amadurecimento entre um episódio e outro, chego a conclusão de que, mesmo sendo o menos popular dos títulos lançados pela empresa até o momento, Tales From The Borderlands é o melhor e mais ousado jogo da Telltale Games.

Preciso dizer que a ansiedade pelo episódio 4, Escape Plan Bravo, já existe há dias? Até lá!