Tales From The Borderlands chega perto de sua conclusão com o quarto episódio Escape Plan Bravo, mostrando que, mesmo partindo do gênero comédia, possui capacidade narrativa de despertar uma montanha russa de sentimentos.

INTRODUZINDO O DRAMA

Diferente de tudo o que pudemos acompanhar até o momento com a série, o novo episódio vem com a finalidade de explorar um lado ainda desconhecido dentro desta aventura: o drama.

Não é de hoje que Telltale Games vem explorando a carga dramática pontuada de suas obras interativas. A primeira temporada de The Walking Dead ficou marcada por um final arrebatador, arrancando lágrimas de muitos let’s players com o seu encerramento. Com o passar dos anos, nota-se que a empresa vem organizando o desenvolvimento de seus títulos por gênero, como o noir The Wolf Among Us, a aventura de Game of Thrones ou a comédia, sendo este último o caso de Tales From The Borderlands.

Até o terceiro episódio de TFTB, Catch a Ride, vimos o humor tomando forma em cada diálogo, montagem cinematográfica ou escolha interativa. Vimos referências ao filme Curtindo a Vida Adoidado, cenas de carnificina acompanhadas de dubstep e montagens românticas com trilha oitentista.

Pensando nisso, a empresa decide surpreender mais uma vez, recheando Escape Plan Bravo com um misto de emoções e questionamentos sobre amizade. Caminhando por uma nuance de camadas mais sérias, o jogador vivencia pela primeira vez a morte inesperada, a traição de um amigo querido e o lado bom que até mesmo o vilão pode ter.

O PÔNEI DE CRISTAL E TANTOS OUTROS DETALHES

Em Catch a Ride, já havíamos elogiado aqui no Metagene o quanto a empresa conseguia superar as expectativas em sua nova adaptação. Escape Plan Bravo não deixa a desejar; na verdade, mostra que a Gearbox fez uma ótima escolha em entregar seu universo nas mãos da Telltale. Com o encerramento de TFTB, um próximo título da “Handsome Collection” pode ancorar-se neste mundo de Rhys e Fiona, sem dúvida.

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Por falar em Rhys e Fiona, o episódio não só aborda os novos personagens de forma mais profunda, como também reafirma a importância dos canônicos ao longo da aventura.

Destaque aqui ao memorial dedicado a Handsome Jack, com Buttstalion exposto no centro do museu. Seu valioso token, explorado anteriormente na saga original dos jogos Borderlands e Borderlands Prequel, não poderia ficar de fora. O pônei que, segundo o amado vilão, não é uma estátua mas sim um animal de verdade feito de diamantes (oi?), consegue fazer brotar aquela risadinha no rosto dos jogadores que já conhecem um pouco da história canônica de Jack.

O OUTRO LADO DE HANDSOME JACK

Ainda sobre o vilão mais adorado de toda a galáxia, o episódio introduz ao jogador uma nova camada, até então não explorada, do infame Handsome Jack. Durante toda a aventura de Tales From The Borderlands, o jogador recolhe informações que rotulam Jack como um ser humano sem escrúpulos, sentimentos e principalmente sem relação alguma com sua rasa sanidade mental. O CEO da Hyperion é manipulador, vingativo, e por algum motivo inexplicável, diverte-se com a morte e a desgraça alheia.

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Passamos a enxergar pequenas peculiaridades de bom grado no personagem com sua evolução entre um capítulo da história e outro. Assim, quando colocamos as mãos no quarto episódio, estamos condicionados a conhecer e aceitar o outro lado do psicopata. A esta altura do campeonato, Jack e Rhys já fazem parte um do outro, o que leva o primeiro a se sentir confortável e seguro dentro da cabeça do segundo. Jack não apenas aconselha Rhys em suas decisões, mas também desabafa sobre seu passado ao protagonista, como se este fosse seu antigo confidente.

É aqui que a enfurecida projeção holográfica ganha um coração humano, lembrando o jogador que até mesmo os vilões possuem amores, traumas e sentimentos de conotação pura. A foto que vemos de Angel em seu escritório da Hyperion consegue exemplificar tudo isso de forma bastante clara.

AINDA DÁ TEMPO DE RIR

Ainda que o drama emocional seja o grande carro chefe deste episódio, o humor mostra-se presente, pontuando cenas extremamente bem escritas e piadas que nunca perdem a graça dentro do universo steampunk. Mesmo com tanta reflexão, choro e coração mole, a saga que tem seu gênero já definido pela Telltale games, não perde a identidade em momento algum nesta reta final.

Menção honrosa para a cena do tiroteiro entre contadores com suas armas imaginárias. O momento nonsense no lounge da Hyperion me fez lembrar de muitas cenas entregues ao absurdo em todas as temporadas existentes na série de TV The Office, aproximando a ficção da nossa realidade.

QUASE LÁ

Em seu quarto episódio, Tales From The Borderlands consegue sentimentos e acontecimentos até então inéditos. Com um desfecho surpreendente, mas que ainda não da pistas de revelar a conclusão da saga, a aventura com cara de comédia improvável da Telltale Games terá muitas pontas para amarrar em seu próximo e último episódio, The Vault Of The Traveler.

Até lá!