Entre as poucas felicidades que tive com a edição deste ano da Brasil Game Show, uma sem dúvida foi poder testar For Honor. E se o game da Ubisoft — anunciado na E3 de 2015 por seu entusiasmado Diretor Criativo, Jason Vandenberghe (um verdadeiro viking!) — já me empolgava por sua premissa, jogá-lo me fez confirmar que seu potencial é mesmo imenso.

For Honor é um jogo um pouco difícil de se categorizar. Aparentemente classificado pela grande mídia como um jogo de ação hack ‘n’ slash, seus criadores o colocam em um novo gênero — que, se fosse levar um nome, seria do estilo de combate criado por Jason e sua equipe para o game, denominado The Art of Battle, muito mais técnico e capaz de progredir com o aprendizado do jogador e com os pontos de experiência conquistados por ele do que os combates de socar botões que vemos com frequência por aí.

Para mim, a classificação dele vai além da forma de combate: apesar de possuir um modo campanha, ele foca na experiência multiplayer e funciona como um MOBA, gênero no qual o jogador escolhe o perfil de personagem que combina mais com seu estilo de jogo, e então avança com outros jogadores e alguns bots em direção ao oponente ou ao seu objetivo. Ele também possui elementos competitivos muito mais presentes em jogos FPS — como, por exemplo, o estilo de “capturar a bandeira”, onde cada time deve tentar conquistar o máximo de bases possíveis antes do término da partida.

É quase como um mix de League of Legends com as séries Dynasty Warriors e Souls.

Os comandos para lutar no estilo The Art of Battle

Os comandos para lutar no estilo The Art of Battle

O foco competitivo, como eu falei, é nítido. Jason e sua equipe tiveram o claro intuito de criar a versão deles de uma batalha campal para os jogadores disputarem através dos videogames. Desde seu lore, que praticamente pede para ser esquecido — afinal, o próprio trailer da campanha já fala que esses três povos estão em uma guerra sem nem lembrar das razões para estar lá —, até a construção dos ambientes e o formato de combate, tudo ali pede que o jogo seja disputado com outras pessoas.

Mas existem muitos jogos por aí que, apesar de focados no multiplayer e na competição, não são considerados esportes eletrônicos. Então, For Honor será ou não um eSport?

O jogo tem muitas características que favorecem a ideia de que ele tem tudo para virar um competitivo dos grandes.

Seu estilo único, diferente de qualquer coisa entre os eSports atuais. Seu formato exclusivo de combate, junto de um mundo que mistura vikings com samurais e guerreiros da Idade Média, fazem com que o game se diferencie facilmente.

Seu foco na competição garante a separação em torcidas por times diferentes, e sua variedade de personagens dá possibilita aos jogadores escolher aqueles que representam melhor suas personalidades ou estilos de jogo.

O combate realizado com membros da equipe também é característico de bons jogos competitivos e pode servir para disputas mais estratégicas. E, mesmo com seu personagem morto, o jogador pode visualizar o mapa e informar melhor seus companheiros da situação da partida — o que significa que todos os jogadores estão ativos o tempo inteiro.

Suas lutas individuais em meio a combates massivos possibilitam diversos momentos de clímax ao longo das partidas. A dinâmica The Art of Battle, o estilo de combate do jogo, junto do level design do game, favorecem disputas muito táticas e baseadas em habilidade, e também narrativas emocionantes.

E isso só para citar aquilo que fui capaz de perceber em pouco tempo de jogo.

Mas se você pensa que isso garante que o jogo será um eSport, está enganado. Um dos fatores mais importantes para que um jogo consiga esse status é ser acessível. É por isso que muitos jogos considerados esportes eletrônicos são freemium ou mesmo free-to-play. Assim, mais jogadores podem experimentar aquele jogo, e então tentar se profissionalizar — ou, no mínimo, entrar na comunidade de players.

Nesse quesito, For Honor sofre do mesmo mal que Overwatch. É um jogo focado na competição, mas que pede que seus jogadores paguem para jogar. E talvez, de certa forma, esteja ainda pior que o famoso FPS. Porque o público da Blizzard já faz pagamentos mensais para curtir os jogos da empresa, então talvez já estejam habituados à ideia. Já o público potencial de FH pode nunca ter considerado a ideia de pagar por um.

Fora, claro, que para um jogo se tornar um esporte eletrônico, primeiro deverá vir a fama. Não tem comunidade se o jogo não for um sucesso, e não tem estrutura de eSport — as atualizações constantes, as competições, os times profissionais… — se não tiver muita gente jogando diariamente e vendo as partidas.

Então, pelo pouco que pude jogar, achei For Honor um jogo incrível, e acredito que ele tem tudo pra ser um dos competitivos mais fodas dos próximos anos. Mas, mesmo com tanta qualidade, quem vai determinar se ele será ou não um eSport somos nós.