Texto escrito por Isadora Martiniano.

Shadow of The Tomb Raider, o terceiro capítulo da trilogia de origem de Lara Croft veio com tudo. Mesmo tendo sido uma das desafortunadas que comprou o jogo na pré-venda e se deparou com um lagging monstruoso na versão para PC, posso dizer que amei cada segundo do game, que manteve o que deu certo nos primeiros jogos e melhorou o que já era bom.

SotTR apresenta sua protagonista em uma versão muito mais madura e calejada, se compararmos com aquela garotinha assustada do primeiro Tomb Raider do reboot. Agora, Lara é uma mulher mais forte, violenta, fria e obcecada por seus objetivos — o que lembra bastante a personalidade da personagem dos jogos clássicos da série, que passava por cima do que quer que fosse para chegar onde queria.

Logo no início do jogo já é possível termos uma ideia do quão diferente e obsessivo o comportamento da arqueóloga se tornou. Em seus primeiros minutos em tela, vemos Lara tirando fotos de forma despreocupada e sem notar o perigo ao seu redor, mesmo com ruínas desabando em sua cabeça. Ainda bem que Jonah, seu companheiro de outras aventuras, estava lá para salvá-la. Personagem, aliás, que serve como contraponto à nova personalidade da heroína e também como uma espécie de personificação do coração de Lara durante a história, acompanhando a amiga em vários momentos do jogo — inclusive, espero por um co-op de Tomb Raider onde possamos escolher entre Jonah e Lara, porque a relação de amizade entre os dois é simplesmente incrível e adiciona leveza na trama quando as coisas começam a se complicar e ficar obscuras demais.

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Com personagens secundários melhores desenvolvidos, a trama não se foca só na luta incessante de Lara contra a organização Trinity, mas também em seus relacionamentos. Temos, por exemplo, um vislumbre da infância de Croft e entendemos um pouco mais sobre sua família — ainda que isso crie tantas questões quanto responde outras.

O visual do jogo é simplesmente deslumbrante. O nível de interação com o cenário continua mais ou menos igual ao de seus antecessores, só que mais realista e com mais detalhes. As tumbas opcionais a serem exploradas estão mais complexas e melhor trabalhadas, oferecendo a opção de escolhermos os níveis de dificuldade dos puzzles — que são muitos!.

Em comparação a Rise Of The Tomb Raider — que já contou com um aumento significativo no número de quebra-cabeças — Shadow me deu a impressão de ter voltado às raízes da série, com mais exploração e menos ação e tiroteio, exigindo um raciocínio mais lógico dos jogadores. Contudo, quando chega a hora da briga, não nos decepcionamos. Em termos de jogabilidade, o sistema de combate segue a mesma receita de bolo dos anteriores, acrescentando algumas coisas novas e incrementando outras. É o famoso “não se mexe em time que está ganhando”.

Que Deus te elimine.

Uma mudança feita — que ainda não sei dizer se achei boa — foi nos upgrades das armas e sistema de compras de habilidades. Ao contrário do que estávamos acostumados, nesse jogo não adquirimos todas as armas ao longo do gameplay. Algumas podem ser compradas com vendedores — que já existiam no jogo anterior, mas não com as mesmas propriedades. Agora, eles estão espalhados pelo mapa, compram coisas de você e oferecem mercadorias diferentes, dependendo de onde estão localizados.

Assim como as armas, os tipos de habilidades que podemos adquirir também teve um aumento, e apresentam custos diferentes para serem adquiridas: algumas você só consegue obter ao completar uma tumba ou uma side quest específica. E falando em missões paralelas, elas também existem em grande quantidade no game e são bem importantes. É claro que você pode completar o jogo sem perder seu tempo com elas, mas o tempo investido compensa, não apenas pela facilidade de ganhar skill points e armas ou roupas, mas também para entender melhor o jogo e a cultura do local explorado, Paititi.

AVISO IMPORTANTE: Você pode fazer carinho nas alpacas.

Na trama, a lendária cidade perdida de Paititi é representada como uma mistura de El Dorado e as ruínas de Machu Picchu. Tem muito o que se explorar dentro e nos arredores do reino escondido, onde é possível adentrar matas densas com uma fauna e flora riquíssimas que só aumentam a imersão.

Além disso, o jogo oferece uma opção que faz com que os nativos falem em sua língua nativa e Lara fale em inglês (ou na língua em que sua dublagem estiver configurada). Andar pelas ruas do México ou do Peru ouvindo as conversas dos NPCs em espanhol foi definitivamente uma coisa muito divertida e que eu não esperava que fosse gostar tanto. Temos também pequenas referências aos jogos clássicos espalhadas pelo caminho, então fiquem atentos para encontrá-las!

Por último, mas não menos importante: o modo foto foi adicionado e eu me senti a blogueirinha da selva com ele. @laracroft Take me back 🌴🥥🐆🏹 #tbt

Foi uma estrada tortuosa, com vários patches de atualização para resolver as diversas travadas e bugs que acabavam com a vontade de qualquer um de jogar Shadow Of The Tomb Raider.

No entanto, posso afirmar com muito orgulho que perseverei e que, após horas de jogatina, a nova aventura de Lara faz valer o investimento e toda a espera.