No último dia 26, a atriz Sophie Turner, a eterna Sansa Stark de Game of Thrones e a jovem Jean Grey de X-Men foi ao programa do apresentador James Corden para divulgar o primeiro trailer de Fênix Negra (Dark Phoenix, no original), o novo título da franquia dos mutantes nos cinemas:

Eu não sei vocês, mas eu achei esse trailer meio sonso. Mas, pra falar a verdade, eu já esperava por isso.

Existem diversas polêmicas envolvendo esse filme, e justamente por isso senti a necessidade de escrever este texto e colocar pra fora o que penso sobre o longa e sobre a questão dos direitos dos mutantes voltar para a Marvel com a aquisição da FOX pela Disney.

A primeira polêmica é: se os personagens da Marvel que estavam com a FOX estão voltando para o domínio da Disney, porquê diabos estão insistindo neste filme? Por que se preocupar em terminar e lançar uma produção que não terá continuidade e sofrerá um novo reboot daqui alguns anos?

Bom, devo dizer que concordo que este filme não deveria existir. No entanto, é importante dizer que as coisas não giram sempre ao redor da Disney. Não é tão simples assim cancelar uma produção milionária: além do investimento do estúdio para produzir o longa, existem diversos contratos que não podem ser ignorados e rompidos simplesmente porque a Disney vai assumir as rédeas da franquia em breve. É o mesmo que excluir um jovem jogador de futebol de seu clube brasileiro só porque ele assinou um pré-contrato com um gigante europeu para sair do país em três temporadas. Não é justo com todas as pessoas envolvidas.

Quem sabe se eu assistir sem expectativa alguma, consiga me divertir, não é?

Dito isto, o principal motivo pelo qual eu torço o nariz para este filme desde o seu anúncio, é por achar que usar a história da Fênix Negra, neste momento, é queimar uma bela ficha. E digo isso mesmo antes de começar toda essa história envolvendo a aquisição da FOX.

O problema é o seguinte: a Fênix Negra é uma história que, para mim, tem mais potencial quando se tem uma versão dos X-Men em que os personagens principais são mais maduros e experientes. É, eu sei que tentaram fazer isso em X-Men: O Confronto final e deu no que deu. No entanto, os problemas do terceiro filme da trilogia “original” estão no roteiro horroroso e nas péssimas decisões de Bratt Ratner na direção. A dor e o sofrimento dos membros da equipe de heróis — especialmente de Scott — ao presenciarem a transformação de Jean em um ser de pura maldade e poder, é um dos grandes diferenciais desta história, que é uma das mais conhecidas dos mutantes nos quadrinhos — e também na TV, na animação clássica dos anos 90.

Posso estar completamente enganado, mas jogar essa trama no colo das versões jovens dos personagens me parece uma atitude tão apressada quanto a da Warner ao colocar em um mesmo filme o Lex Luthor, a Mulher-Maravilha e o Apocalipse enquanto Batman e Superman trocam tapas e beijos.

Os jovens X-Men foram introduzidos apenas no filme anterior, X-Men: Apocalipse, e é quase um consenso que esse não foi um bom filme de estreia para a nova geração, não é mesmo? (Aliás, esse não foi um bom filme. Ponto.)

O que quero dizer é que, eu gostaria de ver mais destes personagens e as interações entre eles antes da poderosa Fênix entrar em cena. Queria vê-los crescer e descobrirem seus poderes e limitações juntos para que, lá na frente, esta clássica saga tivesse o peso que teve nas HQs. Inclusive, é mais ou menos o mesmo que penso sobre a Guerra Civil do MCU: pensem nas possibilidades se o conflito acontecesse após a introdução da Capitã Marvel e do Quarteto Fantástico no universo dos cinemas, por exemplo. O terceiro filme do Capitão América teria sido BEM diferente — e melhor.

Para não dizer que eu odiei tudo do trailer, eu gostei (bastante) de duas coisas: a primeira são os novos uniformes, inspirados na fase de Grant Morrison à frente dos mutantes nos quadrinhos. A segunda é que, apesar de ter faltado aquele algo a mais no trailer, achei interessante que, à princípio o longa não parece ter a pretensão de ser maior do que seus antecessores. Em franquias cinematográficas como X-Men, os diretores (você mesmo, Bryan Singer!) caem na armadilha da escala: a mania de tentar fazer de seu próximo título um material com mais explosões, uma ameaça com escala maior, um vilão mais poderoso, etc. Ou seja: a famosa mania de grandeza, como diria a minha avó — que, por sinal, ficou bem triste com o final de Logan. Achei importante compartilhar essa informação com vocês. O próximo filme parece ser um pouco mais pé no chão do que escandaloso, e isso talvez seja um bom sinal apesar do trailer “meh”.

Por mim pode guardar esses uniformes nos armários da Disney. Uma lavada daqui 3 anos e tá ó: um brilho!

E já que Fênix Negra provavelmente não levará os X-Men a lugar algum nos cinemas, o que será que o MCU comandado por Kevin Feige reserva para os mutantes?

Acredito que aqueles que acompanham os quadrinhos da Marvel há algum tempo já repararam que os planos da Disney para os personagens — e para o universo Marvel como um todo — começaram a ser pincelados já no trailer da Capitã Marvel: Skrulls e Invasão Secreta.

Para quem não está familiarizado com as HQs, os Skrulls são, em resumo, uma raça alienígena de metamorfos. Ou seja: são capazes de mudar de forma e assumirem a identidade (e os poderes) de outras pessoas. Já a saga Invasão Secreta, escrita pelo aclamado Brian Michael Bendis, conta uma história pós-Guerra Civil, na qual é descoberta uma verdadeira conspiração envolvendo os Skrulls, já instalados na Terra e preparando uma invasão gigantesca enquanto assumem a identidade de diversas pessoas — incluindo heróis e heroínas da Marvel.

Se vocês ficaram confusos ao verem a Brie Larson largar um sopapo na cara de uma senhora, calma que tem explicação!

É quase certo que a próxima fase da Marvel nos cinemas abordará uma trama envolvendo os Skrulls, que será revelada aos poucos nos grandes filmes eventos — como fizeram com as Joias do Infinito nas primeiras fases.

De quebra, estabelecer os Skrulls como a nova grande ameaça para substituir Thanos no plano geral é a maneira perfeita de introduzir o novo Quarteto Fantástico e os X-Men no MCU, já que ambas as equipes têm ligações próximas com esses seres nos quadrinhos — por exemplo: a primeira aparição da raça alienígena foi na revista Fantastic Four, na qual os heróis são atacados pelos vilões, que assumem suas formas e poderes.

Para mim, a melhor maneira de introduzir os mutantes nos filmes da Disney é estabelecer que eles são uma sociedade secreta, que vive escondida por temer a reação da humanidade. E, infelizmente, eles estão certos. Afinal, o que torna os X-Men personagens tão bons e atemporais, é o fato de que eles sempre refletem o que existe de pior na nossa sociedade: preconceito, indiferença e violência com o considerado diferente. E, tão importante quanto isso: como a considerada minoria reage à isso.

Talvez o mundo precise mais de um filme dos X-Men — que bata nesta tecla e que resgaste esse importante aspecto da essência dos personagens — do que o MCU em si. Só nos resta aguardar pela última aventura dos mutantes pelas mãos da FOX no dia 14 de fevereiro de 2019, e em seguida torcer para que a Disney faça bom proveito desse esperado retorno.

[ATUALIZAÇÃO – 28/09, 17:50h]

Segundo o Hollywood Reporter, a FOX adiou a estreia de Fênix Negra em quatro meses. A nova data de lançamento é 7 de junho de 2019 nos EUA.

É a segunda vez que o título é adiado. Anteriormente a previsão de estreia era para o final de 2018, depois foi passado para fevereiro do ano seguinte, e agora para junho.