O novo (e provavelmente, o último) trailer de Batman Vs Superman – A Origem da Justiça foi divulgado ontem, durante o programa do Jimmy Kimmel, contando com a presença de Batfleck…. Digo, Ben Affleck.

E olha, se a minha empolgação já estava alta com os trailers lançados antes e com o teaser divulgado essa semana (que, segundo todas as pistas dentro e fora do vídeo, parece mostrar uma cena de um pesadelo do Cavaleiro das Trevas), agora então…

Sem dúvida há MUITO para ficar animado com esse trailer, e algumas coisas para se questionar (ou talvez para desistir do filme, no caso dos mais chatos e teimosos): temos um pouco mais da atuação de Affleck como Batman; mais da interação entre Clark e Bruce, que acontece não só entre os dois, mas também com outros personagens; a menção ao passado do Morcego e as ligações dele ao Coringa; mais cenas (no mínimo) incríveis de ação…

Mas tem uma coisa no trailer que me chamou muito a atenção, e que me faz sentir que deve ser comentada neste momento: os vilões.

Parece que, por mais que eles tenham algo do original ali (ou, para ser mais específico: de alguma de suas versões dos quadrinhos), ainda assim eles conseguem fugir demais de suas origens, mesmo em poucos segundos de tela.

Como?

Lex, logo em sua primeira aparição no trailer, além de exibir o cabelo que já foi motivo para muita discussão por aí desde as primeiras fotos do ator Jesse Eisenberg no papel do vilão, é introduzido ao se intrometer em uma conversa acalorada entre Bruce e Clark, fazendo-o com uma voz aguda, de forma nada discreta e com um jeitão meio creepy – digna, talvez, do Charada do Jim Carrey, ou do Coringa do Cesar Romero.

Lex Luthor: não dá pra imaginar esse cara virando Presidente, vai… (ainda!)

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E Lex não é nada disso. Lex é inteligente, elegante, fala firme, e domina o ambiente onde está. Ele é um Francis Underwood bem-sucedido e on steroids. É tão forte quanto Kal-El, se medir forças em qualidades diferentes.

E esse cara não é o Luthor de Eisenberg. Bom, não é o que podemos ver nos trailers, pelo menos. Arrisco dizer que não é o que veremos nos filmes (ainda).

E tem o Apocalypse, a.k.a. Doomsday, que de Apocalypse/Doomsday parece só ter a aparência. Digo, se o original é uma criatura de Krypton, misto de “ser ancestral” com “experimento que deu errado” de lá, com poder de evoluír por conta (de certa forma) e capaz de causar pânico em qualquer herói terrestre, a versão do filme – um Zod mutado, “Zod zumbi” – é “só” um kryptoniano transformado por humanos. Provavelmente mais forte, sim, mas sem aquele impacto do original. Quase um Bizarro, mas com origem melhorada.

Claro, a impressão quanto aquilo que chamo de “impacto” do vilão pouco se baseia em fatos concretos, porque não sabemos quase nada dos poderes dele. É mais uma questão de “problema de variação de mediuns”. Algo que acontece por detrimento da adaptação da história de uma mídia para outra. Que não tem muito como ser ajustado pelo simples fato do universo DC ter um tempo de vida diferente em cada uma delas, com históricos diferentes.

É, eu esperava esse cara mais pra frente no DC Cinematic Universe, mas serve!

É, eu esperava esse cara mais pra frente no DC Cinematic Universe, mas serve!

Nos quadrinhos, o surgimento do Apocalypse, que é referência para a maioria dos fãs (creio eu), aconteceu em The Death of Superman, que marca o “grau de poder” do do monstro ao causar a morte de Kal-El. É um vilão que surgiu com o Superman já existindo dentro daquele universo. Surgiu matando um herói conhecido por ser praticamente imortal e imbatível.

Enquanto isso, no cinema, ele está sendo colocado como segundo rival do herói, o que já diminui um tanto seu valor (afinal, os primeiros nunca são os mais fortes; todo mundo sabe que os piores inimigos ficam para os últimos filmes), sem a origem misteriosa e sem a kill count marcante. E isso causa a impressão de um inimigo reproduzido no filme de maneira muito inferior em relação à sua “versão real”.

Mas veja bem: nada disso deve ser motivo para reclamações. Ainda.

O Lex, apesar de não ser tão Lex, parece ser manipulador e genial, da forma como tem que ser, e parece estar bem encaixado no roteiro. E o Apocalypse, apesar de não ser tão Apocalypse, ainda é um fuckin’ alienígena melhorado, e tudo indica que vai dar uma briga muito boa pelas mãos do Snyder.

Para quem gosta desse tipo de filme, fica aqui a minha aposta de que o filme será um sucesso. E, para os fãs da DC ou de qualquer personagem na história, uma recomendação: talvez seja hora de começar a se desapegar um pouquinho do original, e abrir a sua cabeça para novas possibilidades.

ps.: apesar do texto praticamente dedicado aos vilões, quem merece destaque MESMO no trailer é a Mulher-Maravilha de Gal Gadot, que não apenas parece ser aquela que vai salvar os dois heróis que dão nome ao filme em um momento de tensão (e o faz de maneira sensacional, devo dizer), como chega com presença e com aquela cara de “vim para resolver problemas de verdade, e não para ficar de papinho como vocês”. Se tem uma coisa que esse trailer me fez querer ver em filmes futuros, foi a Diana como líder da Liga da Justiça.