The Gifted pode ser uma grata surpresa para os fãs dos X-Men

Uma série sobre a sobrevivência de uma minoria
por: 10 de outubro de 2017
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Entre as diversas estreias de novas séries que presenciamos todo ano, é certo afirmar que veremos, no mínimo, um novo show de super-herói marcando presença na grade de algum canal de TV ou serviço de streaming.

Só em 2017 já tivemos Punho de Ferro, Os Defensores, Legion, Powerless (flopou e ninguém viu), Inumanos, The Gifted, e ainda vem por aí O Justiceiro e The Runaways. E 2018 nem chegou e já estão confirmadas as séries Titans, Manto & Adaga e Black Bolt.

Sim, temos super-heróis pra c@#%*$ na televisão. Alguns fazendo bonito, outros nem tanto. Depois da estreia desastrosa dos Inumanos, estava curioso pra ver como The Gifted se sairia e tive uma agradável surpresa.

Sempre fico com o pé atrás quando a FOX resolve fazer algo relacionado aos X-Men. Mesmo tendo gostado bastante dos materiais recentes do estúdio (Legion e Logan), não dá pra esquecer os desastres que são a grande maioria de seus filmes envolvendo os personagens do universo mutante da Marvel.

No entanto, o piloto de The Gifted funciona muito bem e cumpre o que se espera de um episódio inicial: seta o clima, apresenta a trama, os personagens e suas relações uns com os outros. Mais do que isso, me atrevo a dizer que a série consegue ir fundo na essência do que os X-Men representam e a mensagem que seus quadrinhos sempre passaram.

A família Strucker, protagonista da série.

O seriado acompanha a jornada da família Strucker. Stephen Moyer (de True Blood) interpreta o promotor Reed, que trabalha colocando mutantes perigosos na cadeia. Ele e sua esposa Kate (Amy Acker, de Person of Interest) têm a vida virada de cabeça para baixo quando descobrem que seus filhos Lauren (Natalie Alyn Lind) e Andy (Percy Hynes White) tem o Gene X. Após um acidente na escola expôr seus poderes para o mundo, os adolescentes passam a ser perseguidos pela organização anti-mutante do governo, chamada Programa Sentinela.

A fuga acaba fazendo a família cruzar o caminho de um grupo de jovens mutantes que funcionam como uma espécie de resistência — e que tem alguns personagens conhecidos do universo dos X-Men em sua formação. Eles vivem escondidos, tentando salvar e recrutar o maior número possível de pessoas que estão sendo caçadas pelo governo. Inclusive, é assim que o episódio começa: com Eclipse (personagem criado para a série), Thunderbird (também conhecido como Apache em algumas versões) e Polaris (filha do Magneto) indo ao resgate de Blink.

Da esquerda para a direita: Polaris (Emma Dumont), Eclipse (Sean Teale), Blink (Jamie Chung) e Thunderbird (Blair Redford).

De cara uma coisa que achei interessante é que a série não faz questão de se inserir na timeline dos filmes. E ainda bem que ela não tem essa pretensão. Afinal, como bem disse o Deadpool em seu longa, as linhas do tempo da FOX no cinema são uma bagunça. Sem contar que essa história de universo compartilhado da TV com as telonas nem sempre é uma boa ideia — Agents of S.H.IE.L.D. demorou e sofreu pra entender isso.

No entanto, a trama de The Gifted me soa como uma espécie de prequel de Dias de um Futuro Esquecido. Não só pela presença de Apache e Blink em ambos os materiais, mas também pela semelhança na história. Assim como no longa de 2014, o governo aprovou uma lei anti-mutante que resultou na criação do Programa Sentinela — que aparenta estar em uma fase embrionária perto do que já vimos em outras mídias —, e o mundo está contra as pessoas portadoras do Gene X. Além disso, como dito algumas vezes no piloto, os X-Men e a Irmandade dos Mutantes estão desaparecidos, provavelmente elaborando algum plano para se adaptarem aos novos tempos.

Se existe ou não uma ligação do seriado com o cinema, isso só saberemos mais tarde. Na realidade, pouco importa se essa ligação vai ou não existir. O que interessa é que a ambientação da trama favorece demais The Gifted no que diz respeito a cria empatia e a mergulhar na essência do que os personagens de X-Men representam.

Os quadrinhos dos mutantes falam sobre intolerância, violência e preconceito de todos os tipos. Igualdade, respeito e tolerância sempre foram as principais mensagens que os X-Men tentaram passar ao longo dos anos, e é essa mesma mensagem que uma família em fuga e um grupo de refugiados vão tentar passar em The Gifted.

Andy sofre bullying no primeiro episódio. A série tratará de temas como intolerância e preconceito.

The Gifted não é uma série que vai te deixar de boca aberta e provavelmente não vai figurar nas listas de “melhores do ano”. Contudo, ela é bem feita. Tem um bom ritmo, personagens interessantes — embora os irmãos adolescentes ainda estejam crus —, efeitos especiais bem decentes para uma emissora aberta e é um bom material do universo X-Men que não tem a necessidade de mostrar um super grupo salvando o mundo.

Se o seriado mantiver o foco no lado humano dos mutantes, talvez ela consiga ganhar seu espaço em meio a tantas séries com o mesmo tema.