Após diversas fotos de set mostrando figurinos duvidosos e polêmicas de casting causadas — infelizmente — por discursos preconceituosos nos últimos meses, Titans finalmente fez sua estreia no DC Universe, a plataforma de streaming da DC Comics.

O piloto da série de Geoff Johns e Greg Berlanti segue a história do detetive Dick Grayson/Robin (Brenton Thwaites) na cidade de Detroit, um ano após o vigilante se separar do Batman. Lá ele encontra Rachel/Ravena (Teagan Croft), uma jovem com poderes misteriosos que, ao ver a mãe ser assassinada, decide fugir e buscar ajuda de Dick, com quem tem sonhado frequentemente.

Paralelo à isso, Kori Anders/Estelar (Anna Diop) acorda sem memórias após um acidente de carro, e passa o episódio todo tentando entender o que está acontecendo. Tudo ainda é muito confuso para ela — e para o público —, mas por algum motivo ela também está atrás de Rachel, e isso deve conduzir a personagem até o núcleo principal. Já Mutano só aparece na última cena, e ainda não se sabe como o jovem se encontrará com os demais personagens.

O visual dos personagens pelas fotos não inspira muita confiança. Mas na série a história é outra!

Ao contrário de boa parte das pessoas, eu não estava com tanto receio dessa série. É verdade que as fotos vazadas das gravações realmente não inspiravam muita confiança. No entanto, eu sempre espero pelo material final para opinar porque existe todo um trabalho de fotografia e pós-produção que nos ajuda a entender como o visual dos personagens funcionará dentro da proposta da obra.

E em Titans, a caracterização dos personagens é bastante coerente com o clima da série: o cabelo da Ravena não parece tanto uma peruca e o visual setentista (e provisório) da Estelar faz sentido dentro do contexto no qual a personagem é apresentada. Além disso, os efeitos da transformação do Mutano em sua rápida aparição no piloto foram bem decentes, e o Robin, assim como os trailers já davam a dica, tem a melhor caracterização entre os protagonistas — provavelmente por ser o personagem mais conhecido do público-geral.

O que mais me chamou a atenção no primeiro episódio foi o tom do seriado. Para quem espera por algo mais próximo dos títulos da DC do universo da The CW, vai se surpreender. Titans é violenta e brutal no nível do Demolidor da Netflix — que distribuirá a série fora dos EUA. A série não tem receio em mostrar o ex-ajudante do Batman atirar para matar, enfiar a faca nos bandidos e descer a porrada com sangue jorrando na tela — o que o torna mais próximo do Red Robin dos quadrinhos. E não pense que é só o Robin quem proporciona esses momentos! Estelar usa seus poderes de forma letal, e Ravena, mesmo sem a intenção, acaba matando um de seus perseguidores em uma sequência digna de um filme de terror.

Ravena é a personagem que será central para a trama e para os outros protagonistas.

Titans teve um ótimo primeiro episódio. Além de estabelecer seu tom logo de cara e mostrar o tipo de série que quer ser, o show também é bem sucedido ao construir seus personagens — todos com boas atuações, apesar de alguns diálogos bem bregas. Mesmo com os mistérios envolvendo a Estelar e a ausência de Mutano em 99% do episódio — provavelmente para não deixar a estreia mais corrida e dar mais atenção ao personagem no próximo episódio — o núcleo central da trama foi estabelecido com sucesso, e todas as histórias individuais devem se encontrar em breve — com Ravena sendo o centro de tudo na primeira temporada.

Utilizando uma abordagem mais sombria para personagens que têm feito sucesso em obras voltadas para o público infanto-juvenil (como Os Jovens Titãs em Ação!), Titans faz uma estreia surpreendente. Sem medo de transitar entre gêneros e temas — misturando sobrenatural com ação, terror, investigação, entre outros — a série não só mostra potencial, como também dá um gostinho do que as produções do serviço de streaming da DC podem fazer.